O momento de consolidar uma identidade artística costuma passar pelos palcos. É justamente essa conexão entre música, público e performance que a cantora e compositora Aléxia decidiu destacar em seu mais novo lançamento. A artista apresentou o clipe de I Don’t Wanna Die, faixa presente em seu álbum de estreia, Garra, trazendo como convidado especial Mi Vieira, vocalista da banda Gloria.
Diferente dos videoclipes tradicionais construídos em estúdio ou a partir de narrativas ficcionais, a produção aposta na força do registro ao vivo. As imagens foram captadas durante o show de lançamento do disco no Manifesto Bar, em São Paulo, reunindo fãs, músicos e convidados em uma apresentação que serviu como cenário para a nova produção audiovisual.
Com direção, captação e edição assinadas por Vitor Duik e Allan Toledo, o vídeo reforça uma das características centrais do projeto de Aléxia: a combinação entre intensidade emocional, sonoridade pesada e proximidade com o público. O lançamento também amplia a visibilidade de uma artista que vem construindo sua trajetória dentro do rock contemporâneo brasileiro com uma agenda constante de shows e participações em eventos importantes do cenário nacional.
Um clipe que valoriza a experiência ao vivo
A decisão de transformar imagens do show de lançamento em videoclipe surgiu da vontade de apresentar uma faceta ainda pouco explorada na carreira da cantora. Enquanto lançamentos anteriores focavam em formatos mais convencionais, desta vez a proposta era registrar a energia real da apresentação e a reação do público diante das músicas do álbum.
Segundo Aléxia, a intenção sempre foi destacar o aspecto coletivo da experiência musical. O vídeo reúne cenas da banda no palco, momentos de interação com os fãs e a participação de Mi Vieira, cuja presença adiciona ainda mais peso ao registro.
“A ideia era fazer um clipe com cenas do show mesmo, dos fãs e tudo mais, porque até então não tínhamos um clipe com esse formato. Eu acho muito massa captar a energia do ao vivo, ainda mais com a presença do Mi”, afirma Aléxia.
A escolha também dialoga com o momento atual da artista. Após anos dedicados à construção de sua carreira nos palcos, o lançamento funciona como uma espécie de retrato da relação que ela desenvolveu com seu público. Em vez de apresentar apenas a música, o clipe mostra a atmosfera criada ao redor dela, destacando a força da performance e a resposta da plateia.
A participação de Mi Vieira reforça ainda mais essa proposta. Conhecido pelo trabalho à frente do Gloria, um dos principais nomes do metalcore brasileiro, o vocalista contribui para ampliar a conexão da faixa com diferentes públicos dentro do rock pesado nacional.

Aléxia e Mi Vieira dividem o palco em um dos momentos mais intensos do show que deu origem ao novo clipe de I Don’t Wanna Die. (Foto: Esdras Junior/@eje.producer)
A mensagem de resistência por trás da música
Embora carregue um título impactante, I Don’t Wanna Die não é uma canção sobre desistência. Pelo contrário. A composição aborda sentimentos ligados ao desgaste emocional, aos arrependimentos e aos conflitos internos, mas sempre apontando para a resistência diante das dificuldades.
A letra trabalha o contraste entre sofrimento e permanência. Ao longo da música, surgem reflexões sobre dores que persistem, cicatrizes emocionais e momentos em que tudo parece excessivamente pesado. Ainda assim, a mensagem central permanece ligada à sobrevivência e à continuidade.
Aléxia explica que parte da inspiração para o refrão veio de uma referência direta à música I Wanna Be, de Pitty. A escolha pelo inglês não ocorreu apenas por uma questão estética, mas também como uma forma de ampliar a comunicação da obra sem perder sua carga emocional.
“Eu curto essa brincadeira de misturar as línguas, mas a mensagem ainda chegar em todas as pessoas. Talvez isso também amenize o peso da letra”, diz.
Essa combinação entre português e inglês aparece como uma característica que aproxima a artista de tendências contemporâneas do rock e do pop alternativo, onde as fronteiras linguísticas são cada vez mais flexíveis. Ao mesmo tempo, a estratégia permite que a música dialogue com públicos diversos, mantendo a intensidade de sua proposta original.
O resultado é uma faixa que equilibra vulnerabilidade e força, transformando experiências pessoais em uma narrativa capaz de gerar identificação em diferentes ouvintes.
O crescimento de uma artista no rock brasileiro
A sonoridade de I Don’t Wanna Die reflete a diversidade de influências presentes em Garra. O álbum combina elementos de metal moderno, metalcore, dark pop e rock contemporâneo, construindo uma identidade que transita entre peso, melodia e emoção.
A faixa conta com teclados de Tom Vicentini, integrante do Gloria, bateria de Guga Valência, baixo de Léo Aoyagui e guitarras de Gustavo Campos, que também assina a produção musical. Já a gravação, mixagem e masterização ficaram sob responsabilidade de Alê Gaiotto, vencedor do Grammy Latino.
Assim como as demais músicas do disco, a gravação aconteceu no estúdio Gargolândia, localizado em Alambari, no interior de São Paulo. O processo reforça a conexão de Aléxia com suas origens e com a realidade de quem desenvolve uma carreira artística longe dos grandes centros culturais.
“Ser uma pessoa que nasceu, cresceu e ainda vive no interior me fez ter muito mais garra para lutar pelo meu sonho. Sempre morando a quilômetros de distância de tudo, sem tanto acesso às coisas, eu precisei acreditar muito, persistir e me mudar muitas vezes para ir alcançando aos poucos cada objetivo. Existem muitos interiores no nosso país e acho que isso nos conecta. Milhões de pessoas vivendo para sobreviver”, afirma.
Com quatro anos de carreira e mais de 400 apresentações realizadas, Aléxia chega a esta nova fase respaldada por uma trajetória consistente. Entre os destaques recentes estão a vitória na seletiva Sudeste do Porão do Rock 2025, a conquista do 23º Festival de Rock de Indaiatuba e a participação na turnê brasileira do The Calling. Ao longo desse percurso, também dividiu espaço com artistas como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, ampliando sua presença no cenário nacional.



