O Grave retorna ao Brasil nesta quarta-feira, 7 de outubro, para uma apresentação na Burning House, em São Paulo, que recoloca no mesmo palco quatro músicos ligados ao período mais emblemático da banda. Ola Lindgren, Jörgen Sandström, Jens “Jensa” Paulsson e Jonas Torndal formam o núcleo responsável pelos primeiros anos de projeção internacional do grupo sueco, um dos nomes históricos do death metal europeu.
A passagem pela capital paulista terá repertório concentrado em Into the Grave e You’ll Never See…, lançados respectivamente em 1991 e 1992. A proposta transforma o reencontro em uma viagem ao início da discografia do Grave, justamente quando sua sonoridade ajudou a definir a identidade do death metal sueco. A noite ainda contará com a participação da banda Infamous Glory e integra uma curta rota latino-americana realizada em 2026.
Formação histórica reunida
O retorno dessa formação começou a ganhar corpo em abril de 2025, quando os músicos voltaram a tocar juntos em Estocolmo. A recepção ao reencontro estimulou a ampliação da agenda e abriu espaço para novas datas em 2026. Em São Paulo, Ola Lindgren estará na guitarra e nos vocais, enquanto Jörgen Sandström assume vocais e guitarra, Jonas Torndal toca baixo e Jens “Jensa” Paulsson ocupa a bateria.
A reunião tem peso especial por aproximar o público da fase em que o Grave estabeleceu as bases de sua identidade. As origens do grupo remontam a 1986, na ilha sueca de Gotland. Antes do nome definitivo, os músicos atuaram como Corpse. A denominação Grave foi adotada em 1988, pouco antes de a cena local ganhar projeção e se transformar em uma das vertentes mais reconhecidas do metal extremo mundial.
Na virada para os anos 1990, a Suécia revelou uma geração de bandas que desenvolveu características próprias dentro do death metal. Nesse contexto, o Grave passou a ser citado ao lado de Entombed, Dismember e Unleashed entre os nomes centrais daquele movimento, classificação também utilizada pelo Sweden Rock Festival. Guitarras densas, riffs diretos e forte presença rítmica ajudaram a diferenciar o grupo.
A apresentação na Burning House também encerra uma longa espera dos fãs brasileiros. O Grave não se apresenta no país há 14 anos. A data acontece entre os shows de Santiago, no Chile, em 6 de outubro, e Cidade do México, em 9 de outubro, colocando São Paulo entre as três paradas anunciadas para a atual passagem latino-americana.

Dois discos no repertório
Into the Grave completa 35 anos em 2026 e ocupa posição central no show. Gravado no Sunlight Studio, em Estocolmo, com produção de Tomas Skogsberg, o álbum ajudou a consolidar elementos associados ao Grave: guitarras em registros graves, timbres encorpados, peso constante e uma abordagem que combinava brutalidade com cadência. “Deformed”, “Extremely Rotten Flesh” e a faixa-título estão entre suas composições mais lembradas.
O disco de estreia surgiu em um momento decisivo para a expansão internacional do death metal sueco e permanece como referência da primeira fase do grupo. Mais do que recuperar músicas antigas, a escolha de dedicar parte substancial do repertório ao álbum coloca em evidência o período em que a banda construía sua linguagem e começava a alcançar ouvintes fora da cena escandinava.
Em 1992, You’ll Never See… deu continuidade à trajetória sem simplesmente repetir a fórmula anterior. O Grave preservou a aspereza de Into the Grave, mas reforçou o peso dos riffs e a condução rítmica, estabelecendo características presentes em trabalhos posteriores. Juntos, os dois discos representam o núcleo da apresentação preparada para esta reunião da formação do início dos anos 1990.
A repercussão desses lançamentos levou o Grave a turnês internacionais e a dividir palcos com bandas como Death, Cannibal Corpse, Bolt Thrower, Morbid Angel, Dismember e Unleashed. Em 1994, Soulless ampliou a visibilidade do grupo, inclusive com a exibição do videoclipe da faixa-título no Headbangers Ball, da MTV, importante vitrine para o metal naquele período.
Retorno passa por São Paulo
Ao longo das décadas seguintes, o Grave manteve atividade apesar das mudanças na formação e das transformações do mercado musical. A discografia soma 11 álbuns de estúdio. Endless Procession of Souls, de 2012, apareceu na seleção da Pitchfork com 40 destaques do metal daquele ano. Out of Respect for the Dead, lançado em 2015, permanece como o trabalho de estúdio mais recente da banda.
A atual reunião, porém, direciona a atenção para os primeiros capítulos dessa história. Em vez de montar um repertório panorâmico da carreira, o grupo escolheu concentrar a apresentação em dois registros específicos. Para quem acompanha o death metal sueco, a proposta permite revisitar ao vivo músicas diretamente ligadas à consolidação de uma estética que atravessou fronteiras e influenciou gerações posteriores do metal extremo.
Em São Paulo, o evento é realizado pela Caveira Velha Produções e Xaninho Discos e terá o Infamous Glory como banda convidada. A apresentação acontece na Burning House, localizada na Avenida Santa Marina, 247, no bairro Água Branca. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma 101 Tickets, enquanto informações adicionais são divulgadas pelos canais oficiais das produtoras responsáveis pela realização.
A passagem brasileira combina dois elementos que ajudam a explicar a expectativa em torno da noite: a volta do Grave ao país depois de 14 anos e a presença de uma formação diretamente ligada aos discos que projetaram seu nome. Com Into the Grave e You’ll Never See… no centro do set, o show desta quarta-feira recupera uma fase decisiva da história do grupo e celebra um repertório que permanece relevante mais de três décadas depois.

SERVIÇO
Grave em São Paulo
Banda convidada: Infamous Glory
Data: 7 de outubro de 2026, quarta-feira
Local: Burning House
Endereço: Avenida Santa Marina, 247, Água Branca, São Paulo, SP
Ingressos: 101 Tickets
Realização: Caveira Velha Produções e Xaninho Discos
Informações: Caveira Velha Produções e Xaninho Discos no Instagram













