DAVE GROHL REALIZA SONHO DE INFÂNCIA AO ABRIR SHOW DO AC/DC NOS EUA

Foo Fighters assumiu uma rara posição de banda de abertura em St. Louis, enquanto seu vocalista celebrou o encontro com um dos grupos que marcaram sua formação musical.
Dave Grohl realiza sonho ao abrir show do AC/DC nos EUA

Dave Grohl transformou a noite de terça-feira (8) em St. Louis, nos Estados Unidos, na realização de um desejo cultivado desde a infância. O Foo Fighters abriu a apresentação do AC/DC no The Dome at America’s Center, em uma participação especial para aquela data. Mesmo acostumado a liderar festivais e lotar estádios, o músico não escondeu a empolgação por dividir a programação com uma de suas principais referências no rock.

Assim que subiu ao palco, Grohl explicou o significado pessoal do compromisso. “Senhoras e senhores, sejam bem-vindos ao meu sonho de infância esta noite!”, declarou antes de iniciar “All My Life”. A frase resumiu o clima de uma apresentação compacta, organizada para aquecer a plateia. Em pouco mais de uma hora, o Foo Fighters concentrou o repertório em canções conhecidas e adotou uma postura adequada à função pouco habitual de abertura.

Uma abertura especial

O convite colocou o Foo Fighters em uma situação incomum no circuito de grandes turnês. Há décadas, a banda norte-americana ocupa posições de destaque em festivais e promove apresentações extensas. Em St. Louis, porém, aceitou reduzir o tempo de palco e atuar antes do AC/DC. A mudança foi tratada como oportunidade de participar de uma noite simbólica para Grohl e seus companheiros.

O grupo abriu com “All My Life” e avançou por diferentes fases da discografia. “The Pretender”, “Times Like These”, “Learn to Fly” e “My Hero” reforçaram a escolha por faixas reconhecíveis. O repertório incluiu ainda “This Is a Call”, do primeiro álbum, lançado em 1995, além de “No Son of Mine”, “Monkey Wrench” e “Best of You”, equilibrando músicas antigas e sucessos posteriores.

Os registros disponíveis da apresentação apontam dez faixas no repertório. A seleção teve ritmo acelerado e não abriu espaço para lados menos conhecidos ou material distante do catálogo habitual dos shows. A proposta era aproveitar o horário, manter a energia alta e preparar o estádio para o AC/DC, sem transformar a abertura em uma versão reduzida de uma apresentação própria.

“Everlong” encerrou o set, preservando uma tradição dos shows do Foo Fighters. Antes de deixar o palco, Grohl revelou que acompanharia a atração principal em meio ao público e avisou: “Vejo vocês na pista!” O comentário reforçou sua condição de admirador. Depois do compromisso profissional, o vocalista estava pronto para assumir o papel de fã e assistir à banda australiana sob outra perspectiva.

AC/DC e Foo Fighters dividiram a programação de uma noite especial para Dave Grohl em St. Louis.

Admiração desde a infância

A relação de Grohl com o AC/DC começou antes do Foo Fighters ou de sua passagem pelo Nirvana. O músico já contou que foi impactado ao assistir, quando criança, ao filme-concerto “Let There Be Rock”, lançado em 1980. A experiência ajudou a formar sua percepção sobre energia e presença de palco. Por isso, ele descreveu o convite como a realização literal de um sonho.

Essa admiração também aparece no repertório do Foo Fighters. Em diferentes turnês, a banda incluiu versões de “Let There Be Rock” nos shows, explorando o peso da composição. A influência não se limita aos covers: a abordagem física de Grohl, os riffs diretos e a defesa de um rock sem cerimônias dialogam com características associadas à trajetória dos australianos.

Ainda assim, um desejo permaneceu pendente. Grohl já afirmou que gostaria de tocar bateria ao vivo com o AC/DC, grupo cuja história inclui Phil Rudd, Chris Slade e Simon Wright. Em uma entrevista de 2018, ao ser questionado sobre com quem ainda sonhava tocar, apontou a banda. A apresentação aproximou os músicos, mas não trouxe participação conjunta no set principal.

Mesmo sem tocar com o AC/DC, Grohl possui uma ligação curiosa com a história recente do grupo. Em 2016, emprestou a Axl Rose o trono criado após quebrar a perna durante um show. Naquele período, o vocalista do Guns N’ Roses substituía Brian Johnson em parte da turnê “Rock or Bust” e precisava se apresentar sentado devido a uma lesão no pé.

AC/DC fecha a noite

Após a saída do Foo Fighters, o AC/DC assumiu o palco com 21 músicas. A abertura ficou a cargo de “If You Want Blood (You’ve Got It)”, seguida por “Back in Black” e “Demon Fire”. O roteiro misturou faixas indispensáveis com escolhas de diferentes fases da discografia, mantendo a estrutura da turnê “Power Up”, criada após o lançamento do álbum de mesmo nome.

“Thunderstruck”, “Hells Bells”, “Highway to Hell” e “You Shook Me All Night Long” ocuparam posições centrais no set. O grupo também apresentou “Shot in the Dark”, do disco “Power Up”, de 2020, e recuperou “Riff Raff”, “Sin City” e “Jailbreak”. A seleção percorreu o catálogo sem abandonar a sonoridade baseada nos riffs de Angus Young e na voz de Brian Johnson.

O trecho final reuniu “Whole Lotta Rosie” e “Let There Be Rock”, acompanhada por um longo solo de Angus Young. No bis, o AC/DC retornou com “T.N.T.” e concluiu com “For Those About to Rock (We Salute You)”. A duração ampliou o contraste com a passagem concentrada do Foo Fighters, deixando clara a divisão entre convidado especial e atração principal.

A noite funcionou como encontro de duas gerações do rock de estádio, sem colaboração improvisada. Para Grohl, o momento teve valor pela simplicidade: abrir o show, agradecer pelo convite e acompanhar a apresentação como admirador. O sonho de tocar bateria com o AC/DC continua em aberto, mas ele pôde riscar da lista a experiência de preparar o palco para a banda que despertou seu interesse pelo rock.

Leia Também:

Deixe um comentário