O projeto Berimbau Groovie, idealizado pela musicista, pesquisadora, educadora e capoeirista Clara Rodriguez, já está disponível ao público. A iniciativa apresenta um repertório inspirado nas cantigas de tradição oral da Capoeira Angola e propõe uma leitura contemporânea dessas manifestações, aproximando elementos tradicionais de uma abordagem marcada pela gravação ao vivo, pela percussão, pelas vozes e pelo improviso. O trabalho teve início com o lançamento de “Pau pra Fazer Canoa”, primeiro single do projeto, e agora ganha uma dimensão mais ampla com a chegada do EP completo. A proposta parte da experiência de Clara Rodriguez na pesquisa artística e na vivência da Capoeira Angola para tratar essas canções como matéria musical viva, capaz de preservar sua força coletiva enquanto encontra novas possibilidades de interpretação e circulação.
Tradição viva
O Berimbau Groovie foi desenvolvido a partir do interesse de Clara Rodriguez em apresentar o repertório ligado à Capoeira Angola sob uma perspectiva que dialogue diretamente com a música contemporânea. A proposta não se limita a reproduzir as cantigas em seu formato tradicional, mas procura compreender suas características e possibilidades para construir uma experiência musical própria.
Nesse processo, o berimbau ocupa um papel central ao lado das vozes, da percussão e dos momentos de improvisação. A escolha por uma gravação ao vivo também contribui para preservar uma dimensão mais orgânica da performance, aproximando o resultado registrado da dinâmica de uma apresentação musical. A combinação desses elementos cria uma sonoridade que transita entre referências da tradição oral e uma estética contemporânea descrita pela artista como um transe retrô-futurista.
O lançamento de “Pau pra Fazer Canoa” funcionou como primeiro contato do público com essa proposta. Partindo de uma cantiga de tradição oral da Capoeira, a faixa apresenta a direção artística que orienta o projeto e estabelece a relação entre pesquisa, experiência e criação musical. Com a chegada do EP, esse universo passa a ser apresentado de forma mais completa, permitindo observar com maior amplitude a abordagem escolhida por Clara.

A iniciativa também parte de uma compreensão específica sobre a permanência das manifestações de tradição oral. Ao trabalhar com essas canções como matéria viva, o Berimbau Groovie reconhece que esse repertório não precisa permanecer restrito a uma representação fixa do passado. A proposta considera justamente sua capacidade de continuar sendo interpretado, transformado e apresentado em novos contextos, sem perder a relação com suas origens.
Essa perspectiva está diretamente ligada à trajetória artística que sustenta o projeto. Clara Rodriguez reúne em sua atuação diferentes campos de pesquisa e prática, incluindo a música, a educação, a investigação artística e a vivência na Capoeira Angola. O Berimbau Groovie surge desse cruzamento e utiliza a criação musical como espaço para aproximar essas experiências.
A chegada do EP amplia, portanto, a proposta apresentada inicialmente pelo single. O projeto passa a ser ouvido como um trabalho mais abrangente, no qual a tradição oral da Capoeira Angola encontra instrumentos, vozes e procedimentos de criação associados à música contemporânea. O resultado busca manter a dimensão coletiva das cantigas ao mesmo tempo em que permite novas leituras sonoras.
Além do EP, o projeto também prevê uma live session audiovisual no YouTube, ampliando a apresentação do Berimbau Groovie para o campo da imagem. A produção complementa a experiência musical e oferece outro formato para acompanhar a performance construída por Clara Rodriguez e pelos elementos que formam a identidade do trabalho.
Sobre a motivação por trás da iniciativa, a artista afirma: “O projeto nasce da pesquisa artística, da vivência na Capoeira Angola e do desejo de apresentar esse repertório como música contemporânea, preservando sua força coletiva e sua capacidade de seguir se transformando.”
Com o EP já lançado, o Berimbau Groovie consolida essa proposta de aproximação entre tradição e criação contemporânea. O trabalho coloca as cantigas da Capoeira Angola no centro de uma pesquisa musical que valoriza sua origem, mas também considera suas possibilidades de transformação. Dessa maneira, Clara Rodriguez apresenta um projeto que busca manter esse repertório em movimento, explorando novas formas de escuta sem abandonar a força coletiva que está na base dessas manifestações.













