MUKEKA DI RATO GRAVA PRIMEIRO SHOW AO VIVO NO HANGAR 110 EM DEZEMBRO

Após três décadas de estrada, banda capixaba escolhe a tradicional casa paulistana para registrar seu primeiro audiovisual e lançar, pela primeira vez, um álbum ao vivo em CD e vinil.
Mukeka Di Rato grava primeiro show ao vivo no Hangar 110

Depois de 30 anos de carreira, o Mukeka Di Rato prepara um momento inédito em sua trajetória. A banda capixaba confirmou que fará a gravação de seu primeiro audiovisual ao vivo no Hangar 110, em São Paulo, no dia 5 de dezembro. O registro também marcará o lançamento do primeiro álbum ao vivo do grupo em formatos físicos, incluindo CD e vinil.

A escolha do palco não foi por acaso: considerado um dos espaços mais importantes da cena underground brasileira, o Hangar 110 acompanha a história do quarteto há décadas e é tratado pelos músicos como uma extensão de casa. A apresentação reunirá músicas de diferentes fases da carreira, incluindo faixas do recente álbum Generais de Fralda (Deck/2025), além de clássicos que ajudaram a consolidar o nome do Mukeka Di Rato entre os principais representantes do punk e hardcore nacional.

Um registro aguardado

Mesmo com uma discografia extensa e centenas de apresentações pelo Brasil e exterior, o Mukeka Di Rato nunca havia produzido um trabalho ao vivo com a estrutura que costuma acompanhar lançamentos audiovisuais. A decisão amadureceu nos últimos meses, especialmente após experiências recentes de gravação durante apresentações da banda.

Segundo o baterista Brek, o grupo nunca enxergou esse tipo de produção como prioridade, mas a percepção mudou naturalmente ao longo dos anos.

“Nós nunca nos preocupamos com materiais audiovisuais”, conta o baterista Brek. “A gente fez um teste recente com a gravação ao vivo do ‘Boiada Suicida’ e talvez agora, depois de 30 anos, nos sentimos mais confortáveis para fazer essa produção. Não teria lugar melhor que o Hangar para isso acontecer”.

A declaração reforça que a iniciativa não representa uma mudança de identidade, mas sim um novo momento vivido pelos integrantes. Em vez de buscar uma superprodução distante da realidade do grupo, a proposta é registrar a intensidade característica de seus shows preservando a espontaneidade que sempre definiu suas apresentações.

O Hangar 110 surge como cenário ideal justamente por fazer parte dessa história. Ao longo das últimas décadas, a banda se apresentou diversas vezes na casa paulistana, criando uma relação próxima com o público local e com a própria trajetória do espaço dentro do underground brasileiro.

Além do simbolismo, a gravação permitirá registrar oficialmente um repertório que atravessa diferentes fases da carreira do Mukeka Di Rato, oferecendo aos fãs um panorama bastante representativo de sua produção musical.

O Mukeka Di Rato escolheu o Hangar 110 para registrar seu primeiro audiovisual e álbum ao vivo após 30 anos de carreira. (Foto: Divulgação/@youknowmyface)

Show reúne gerações

Outro fator que torna a apresentação especial é a presença do vocalista Fepaschoal interpretando músicas clássicas do grupo. Integrante desde 2021, ele passou a dividir os vocais e a guitarra com Paulista, assumindo um papel importante na formação atual.

Para muitos fãs, será a oportunidade de acompanhar canções históricas executadas pela nova formação em um registro definitivo.

O baixista e vocalista Mozine acredita que o grupo chegou ao momento certo para produzir esse material.

“Eu acho muito importante fazer esse formato, que o Mukeka Di Rato nunca fez antes de forma estruturada”, comenta. “Agora a banda se sente preparada para fazer um ao vivo de qualidade sem deixar de ser o Mukeka, sem perder a essência”.

A fala resume o objetivo da banda: documentar um show sem descaracterizar a energia que sempre marcou suas apresentações. Ao longo de três décadas, o Mukeka Di Rato construiu sua reputação principalmente pelos palcos, mantendo uma postura direta, intensa e fiel às raízes do punk e do hardcore.

O repertório deverá combinar músicas recentes de Generais de Fralda com faixas que acompanham a banda desde os primeiros anos de atividade. Dessa forma, o audiovisual pretende funcionar tanto como registro histórico quanto como uma celebração da longevidade do grupo.

No palco estarão Fepaschoal (vocal e guitarra), Mozine (baixo e vocal), Brek (bateria) e Paulista (guitarra e vocal), mantendo a formação responsável pelos shows mais recentes.

CD e vinil inéditos

Além do lançamento em vídeo, o projeto também terá importância para a discografia da banda. Pela primeira vez, um show do Mukeka Di Rato será disponibilizado oficialmente em CD e vinil.

Embora exista um registro anterior captado durante uma apresentação no Japão, aquele material foi lançado exclusivamente em DVD como conteúdo complementar do documentário da banda.

Mozine explica essa diferença.

“Tem um registro ao vivo que o Mukeka fez, que acompanha o nosso documentário no Japão. Ele foi feito em áudio e vídeo e foi lançado exclusivamente em DVD. Então essa é a primeira vez que um ao vivo nosso vai sair em CD e vinil”, afirma. “E será uma gravação um pouco mais abrangente, até porque a banda tem mais tempo de carreira e mais discos”, completa o baixista.

A expectativa é que o lançamento reúna músicas representativas das diferentes fases do grupo, refletindo a evolução de uma banda que permaneceu ativa durante três décadas sem abandonar sua proposta original.

Em 2025, o Mukeka Di Rato também celebrou seus 30 anos de existência com o lançamento de Generais de Fralda, seu nono álbum de estúdio. O disco reafirmou a continuidade do trabalho iniciado nos anos 1990 e manteve a sonoridade agressiva que caracteriza o grupo.

Agora, a gravação no Hangar 110 amplia essa comemoração ao transformar uma apresentação ao vivo em documento histórico para a banda e seus seguidores. O evento promete reunir diferentes gerações de fãs e registrar um capítulo importante da história de um dos nomes mais respeitados do punk/hardcore brasileiro.

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