O ingresso do IRON MAIDEN no Rock And Roll Hall Of Fame finalmente se tornou realidade após anos de debates, indicações e discussões entre fãs, críticos e integrantes da cena do rock. A confirmação da entrada da banda na instituição encerra uma longa espera para um dos nomes mais influentes da história do heavy metal, embora ainda existam dúvidas sobre quem representará oficialmente o grupo na cerimônia de homenagem.
Entre os músicos incluídos na homenagem está o ex-guitarrista Dennis Stratton, integrante da formação responsável pelo álbum de estreia da banda em 1980. Em entrevista ao podcast Rock Talk, apresentado pela jornalista sérvia Jadranka Janković Nešić, Stratton falou sobre sua reação à notícia, comentou a possibilidade de comparecer à cerimônia e também compartilhou suas impressões sobre o documentário recém-lançado Iron Maiden: Burning Ambition.
A cerimônia do Hall da Fama acontecerá enquanto o IRON MAIDEN mantém compromissos de turnê na Austrália, o que já levou o empresário Rod Smallwood a confirmar que a banda não deverá comparecer ao evento.
A emoção de finalmente entrar para o Hall da Fama
Dennis Stratton não escondeu a satisfação ao comentar a inclusão do IRON MAIDEN entre os homenageados do Rock And Roll Hall Of Fame. O músico relembrou conversas antigas com Steve Harris sobre o assunto e afirmou que nunca deixou de acreditar que o reconhecimento acabaria acontecendo.
“Absolutamente, estou nas nuvens, para ser sincero”, declarou o guitarrista. “Lembro que muitos anos atrás, acho que em 2020, estávamos em lockdown e conversei com Steve. Nós estávamos presos em casa e discutíamos isso naquela época.”
Apesar da felicidade, Stratton reconhece que a relação do MAIDEN com a instituição sempre foi complexa. A banda foi indicada anteriormente em 2021 e 2023, mas acabou ficando de fora das listas finais. Ao longo desse período, declarações críticas feitas por Bruce Dickinson também contribuíram para aumentar a distância entre o grupo e o Hall da Fama.
Mesmo assim, o ex-guitarrista acredita que a homenagem representa uma espécie de coroação para décadas de dedicação ao rock pesado.
“Já disse isso antes: depois de 50 anos, ou quantos anos tenham sido, de trabalho duro, dificuldades, viagens intermináveis, noites sem dormir e tudo mais que vivemos, receber a cereja do bolo no final da carreira é algo fantástico.”
A inclusão de Stratton na homenagem tem peso histórico. Embora sua passagem pelo MAIDEN tenha sido relativamente curta, ele participou da gravação do álbum de estreia e ajudou a moldar elementos importantes da identidade musical que acompanhariam a banda nas décadas seguintes.

Quem irá receber o prêmio em nome do Iron Maiden?
Uma das principais dúvidas envolvendo a cerimônia continua sendo quem aceitará oficialmente a homenagem em nome da banda. Como o grupo estará em atividade durante o período do evento, ainda não existe confirmação sobre representantes presenciais.
Stratton deixou claro que qualquer decisão será tomada exclusivamente pelos integrantes atuais e pela equipe de gestão.
“Tenho que dizer novamente que a decisão está nas mãos da banda e da administração. Qualquer decisão que eles tomarem eu vou respeitar.”
O músico admitiu que gostaria de participar do momento ao lado de outros ex-integrantes homenageados.
“Seria absolutamente fantástico para mim, Nicko e Blaze recebermos o prêmio em nome deles, mas eu não sei se isso vai acontecer.”
Ele também afirmou que existe a possibilidade de Rod Smallwood assumir essa responsabilidade, embora nenhuma definição tenha sido divulgada até agora.
“Não sabemos se outra pessoa aceitará o prêmio, como o Rod. Está fora do nosso controle. Não é uma decisão nossa.”
Apesar da incerteza, Stratton destacou que a conquista representa uma vitória para os fãs. Segundo ele, mesmo aqueles que não valorizam o Hall da Fama podem enxergar o reconhecimento como o encerramento de uma discussão que se arrastou por anos.
“Estou feliz pelos fãs. Sei que muitos deles realmente não se importam com o Rock And Roll Hall Of Fame, mas fico feliz porque agora fomos incluídos e, espero, essa discussão finalmente poderá ser encerrada.”
Ele também revelou um desejo bastante pessoal relacionado à homenagem.
“Não consigo evitar ficar animado. Gostaria de receber o prêmio e ter algo para colocar em casa e mostrar aos meus netos.”
As impressões sobre o documentário Burning Ambition
Além do Hall da Fama, Dennis Stratton comentou o lançamento de Iron Maiden: Burning Ambition, documentário que estreou nos cinemas em maio de 2026 e revisita os cinquenta anos de trajetória da banda.
O guitarrista assistiu à produção pela primeira vez durante a estreia mundial em Londres e posteriormente em Belgrado. Embora tenha elogiado o resultado final, acredita que o início da história do grupo recebeu menos atenção do que muitos fãs esperavam.
“Gostei muito do filme pelos fãs”, afirmou. “Mas pessoalmente achei uma pena que algumas pequenas coisas do começo tenham ficado de fora.”
Segundo Stratton, a limitação de tempo pode ter influenciado as escolhas da produção.
“É um filme de duas horas. Acho que não dá para colocar tudo, e a atenção precisa estar voltada para a formação atual e para como eles continuam seguindo em frente.”
O músico destacou que apreciou rever imagens antigas, mas gostaria de ter visto mais material relacionado aos primeiros anos da banda.
“Foi muito bom ver alguns clipes antigos. Eu só gostaria que tivessem incluído um pouco mais daquele período.”
Ao comentar as críticas de fãs que esperavam uma abordagem mais aprofundada sobre as origens do MAIDEN, Stratton concordou com a observação.
“Sim, absolutamente. Ouço isso o tempo todo nas redes sociais, na internet e dos próprios fãs.”
Ainda assim, ele acredita que os produtores podem ter considerado que a história inicial da banda já foi amplamente documentada em livros e publicações especializadas.
Formado no leste de Londres em 1975, o IRON MAIDEN tornou-se uma das bandas mais importantes da história do rock. Em cinco décadas de atividade, o grupo lançou 17 álbuns de estúdio, vendeu mais de 100 milhões de discos e realizou cerca de 2.500 apresentações em 64 países. Agora, com a entrada definitiva no Rock And Roll Hall Of Fame, acrescenta mais um capítulo marcante a uma trajetória que ajudou a definir o heavy metal moderno.



