A volta da Escócia à Copa do Mundo após quase três décadas de ausência ganhou uma trilha sonora especial. A banda escocesa Belle and Sebastian lançou nesta terça-feira (2) a versão de estúdio de “It Only Takes One Lion”, composição que rapidamente passou a ser vista por torcedores como um possível hino não oficial da seleção nacional para o Mundial de 2026.
A música surge em um momento de grande entusiasmo para o futebol escocês. Depois de 28 anos longe da principal competição do planeta, a equipe garantiu vaga no torneio e reacendeu o orgulho de uma torcida acostumada a conviver com campanhas frustrantes e longos períodos de espera. Nesse contexto, a nova faixa do grupo liderado por Stuart Murdoch procura capturar justamente a mistura de esperança, emoção e ansiedade que acompanha os fãs da seleção.
Mais do que uma simples homenagem esportiva, “It Only Takes One Lion” conecta música, memória e identidade nacional. A canção revisita momentos marcantes da trajetória escocesa no futebol internacional e olha para o futuro, tendo como pano de fundo o desafio de enfrentar algumas das maiores seleções do planeta, incluindo o Brasil.
Uma música inspirada pela classificação histórica
A origem da composição está diretamente ligada à campanha que levou a Escócia de volta à Copa do Mundo. Segundo informações divulgadas pela banda, a música começou a tomar forma após uma importante vitória sobre a Dinamarca durante as Eliminatórias, resultado que reforçou a confiança dos torcedores e alimentou o sonho da classificação.
Antes mesmo de chegar aos serviços de streaming, a faixa já havia sido apresentada ao público. O Belle and Sebastian executou “It Only Takes One Lion” pela primeira vez durante uma apresentação no tradicional Royal Albert Hall, em Londres. O show fazia parte da turnê comemorativa dos álbuns “Tigermilk” e “If You’re Feeling Sinister”, dois dos trabalhos mais importantes da carreira do grupo.
O lançamento oficial da gravação de estúdio ampliou o alcance da canção e ajudou a consolidar seu status simbólico entre os torcedores escoceses. Embora não tenha sido adotada oficialmente pela federação do país, a música rapidamente encontrou espaço entre os fãs, que enxergam nela uma representação do sentimento coletivo em torno do retorno ao Mundial.
Em comunicado divulgado junto ao lançamento, Stuart Murdoch explicou que a proposta da composição era retratar a longa relação emocional entre a torcida e a seleção nacional.
“É uma canção pessoal sobre acompanhar as dificuldades da seleção escocesa nos últimos 50 anos. Ela tenta abarcar a experiência de todo o país acompanhando a Escócia”, afirmou.
A declaração reforça o caráter autobiográfico e coletivo da obra. Ao mesmo tempo em que reflete experiências pessoais do músico, a faixa procura traduzir décadas de expectativas, decepções e esperanças compartilhadas por diferentes gerações de torcedores escoceses.

Brasil aparece como desafio central na letra
Um dos aspectos que mais chamou atenção após a divulgação da música foi a presença do Brasil em sua narrativa. O sorteio da Copa do Mundo de 2026 colocou escoceses e brasileiros no mesmo grupo, criando um reencontro que carrega forte significado histórico.
Na letra, o Brasil surge como um dos principais obstáculos da campanha escocesa. A seleção pentacampeã mundial é retratada como um adversário respeitado e temido, capaz de despertar tanto admiração quanto nervosismo entre os torcedores.
O trecho “Temos mais um tango com o Brasil” sintetiza esse sentimento. A frase faz referência ao novo duelo entre as duas equipes e transmite a expectativa criada em torno do confronto.
Para os escoceses, enfrentar o Brasil em uma Copa do Mundo significa encarar uma das maiores potências da história do esporte. Ao longo das décadas, a Seleção Brasileira construiu uma reputação baseada em conquistas, grandes jogadores e campanhas memoráveis, tornando qualquer confronto um acontecimento especial.
A escolha de incluir o Brasil na composição também ajuda a conectar passado e presente. Em vez de tratar apenas da classificação para o Mundial de 2026, a música amplia seu alcance ao dialogar com momentos marcantes da história do futebol escocês.
Esse recurso torna a narrativa mais rica e aproxima a canção do imaginário dos torcedores, que veem o reencontro com os brasileiros como um dos capítulos mais interessantes da próxima Copa.
O peso da memória da Copa de 1998
A referência ao Brasil não acontece por acaso. Ela está diretamente ligada à última participação da Escócia em uma Copa do Mundo, realizada na França em 1998.
Naquela edição, os escoceses tiveram a missão de disputar justamente a partida de abertura do torneio contra a Seleção Brasileira. O confronto terminou com vitória brasileira por 2 a 1, mas ficou marcado pela atuação competitiva da Escócia diante da então campeã mundial.
Desde então, o país viveu um longo período sem conseguir retornar ao principal palco do futebol internacional. Foram quase três décadas de tentativas frustradas, eliminações e campanhas que terminaram antes do objetivo ser alcançado.
Por isso, a classificação para o Mundial de 2026 possui um significado especial para a torcida. Ela representa o encerramento de uma espera que atravessou gerações e a oportunidade de voltar a competir entre as maiores seleções do planeta.
“It Only Takes One Lion” funciona justamente como uma celebração desse momento histórico. A música mistura referências ao passado, observações sobre o presente e expectativas em relação ao futuro, criando uma narrativa que acompanha a jornada da seleção escocesa ao longo dos anos.
Ao transformar o retorno à Copa em uma obra musical, o Belle and Sebastian reforça a ligação entre cultura e esporte, dois elementos profundamente presentes na identidade nacional da Escócia. A canção chega como um registro emocional de um momento aguardado há décadas e ajuda a embalar a caminhada da seleção rumo ao Mundial de 2026, onde um novo capítulo da história contra o Brasil já começa a despertar a imaginação dos torcedores.



