SANGUE DE BODE LANÇA “O FUNERAL DE TUDO” COM SONORIDADE EXTREMA

Novo álbum da banda carioca mergulha em temas existenciais e amplia a intensidade sonora do grupo
Sangue de Bode lança O Funeral de Tudo com novo álbum

O quarteto carioca Sangue de Bode reforça sua posição na cena underground nacional com o lançamento de seu quarto álbum, “O Funeral de Tudo”. Conhecida por sua abordagem intensa e pouco concessiva, a banda segue explorando os limites do metal extremo com um trabalho que aposta na densidade emocional e sonora como principal força narrativa.

Desde sua formação, o grupo construiu uma identidade marcada pela recusa em suavizar sua proposta artística. Em um cenário musical cada vez mais orientado por métricas e tendências digitais, o novo disco surge como um contraponto direto: um material que não busca acessibilidade imediata, mas sim uma conexão profunda com ouvintes dispostos a atravessar suas camadas mais densas.

identidade sonora e expressão sem concessões

“O Funeral de Tudo” apresenta oito faixas que mantêm a coerência estética da banda enquanto ampliam sua construção sonora. O uso mais evidente de duas guitarras cria texturas mais densas e reforça a atmosfera opressiva que atravessa o álbum do início ao fim. A produção valoriza a crueza dos instrumentos, evitando polimentos excessivos e preservando a intensidade característica do grupo.

As composições abordam temas como depressão, ansiedade e colapso existencial, tratados de forma direta e sem metáforas suavizantes. Segundo o vocalista e guitarrista Verme, esse direcionamento não é fruto de uma estratégia deliberada, mas de vivências pessoais acumuladas ao longo do tempo.

“O clima das composições e da temática da banda não aconteceram de forma consciente portanto não se trata de um culto ao sofrimento. Na verdade, é o resultado do acúmulo de experiências macabras e difíceis vividas na carne, no mundo real. O Sangue de Bode surgiu de muito sofrimento, e esse sofrimento acabou sendo expressado da forma como é de maneira muito natural.”

A formação atual — composta por Verme (vocal e guitarra), Sinuê (bateria), Zé (baixo) e Nekrose (guitarra) — mantém uma coerência estética que se reflete tanto na sonoridade quanto na imagem do grupo, reforçando sua identidade dentro do metal extremo brasileiro.

Registro cru e direto do Sangue de Bode, refletindo a estética sombria e visceral que define a identidade do grupo no metal extremo brasileiro. (Foto: Divulgação)

influências, posicionamento e rejeição de rótulos

Embora frequentemente associado ao black metal, o Sangue de Bode adota uma postura mais ampla em relação às suas influências. O novo álbum incorpora elementos de death metal, thrash, hardcore e groove, construindo um som híbrido que desafia classificações rígidas.

Essa abordagem também se reflete no posicionamento ideológico da banda. O grupo evita se vincular ao rótulo tradicional do black metal, especialmente por conta de aspectos históricos controversos associados ao gênero. Em vez disso, prefere se identificar como parte do metal extremo, um território mais aberto e menos preso a códigos específicos.

A faixa “Máxima Miséria”, escolhida como single de apresentação, exemplifica bem essa proposta. O clipe, produzido integralmente pela própria banda e divulgado no YouTube por meio do canal Scena Lab, reforça a estética crua e independente que acompanha o projeto.

Mais do que uma questão sonora, essa mistura de influências representa também uma postura dentro da cena: a recusa em seguir padrões estabelecidos e a busca por uma identidade construída de forma orgânica.

processo criativo, turnê e conceito do álbum

De acordo com Verme, o processo criativo do Sangue de Bode permanece fiel a uma lógica intuitiva, sem planejamento estratégico ou preocupação com reconhecimento comercial.

“Nós sempre fizemos nosso som em primeiro lugar para satisfazer as nossas vontades artísticas. A banda é, acima de tudo, sobre a nossa expressão, sobre o que nos representa e sobre fazer um som que gostaríamos de ouvir. Hoje podemos ter a felicidade de perceber que as pessoas que gostam do nosso trabalho se identificam com o que a gente faz genuinamente, pois nossa dinâmica de trabalho e produção nunca foram exclusivamente direcionadas a algum tipo de reconhecimento comercial, e sim ao nosso desejo autêntico de fazer música.”

Esse posicionamento se reflete diretamente no conceito central de “O Funeral de Tudo”. O álbum propõe uma reflexão sobre o fim absoluto — não apenas individual, mas coletivo. A ideia de um colapso simultâneo de todas as coisas surge como um elemento paradoxal: ao eliminar a continuidade, elimina-se também a experiência da perda.

Nesse contexto, o fim deixa de ser apenas um elemento trágico e passa a carregar uma dimensão de alívio. Trata-se de uma abordagem que amplia o escopo temático do disco, deslocando-o de uma narrativa pessoal para uma reflexão mais abrangente sobre existência e finitude.

O lançamento do álbum também impulsionou uma nova fase de apresentações ao vivo. A banda iniciou uma turnê nacional em abril, com datas distribuídas por diversas cidades brasileiras, e segue na estrada até agosto. As informações completas sobre o itinerário estão disponíveis nas redes sociais oficiais do grupo.

Sem concessões sonoras ou temáticas, “O Funeral de Tudo” reafirma o compromisso do Sangue de Bode com uma estética radical e autêntica. Em um cenário onde a acessibilidade muitas vezes dita o formato das produções, o álbum se destaca justamente por seguir na direção oposta.

Confira o álbum na íntegra:

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