JÉSSICA FALCHI CRITICA SEXUALIZAÇÃO NA GUITARRA E GERA DEBATE

Ex-integrante da Crypta levanta discussão sobre imagem feminina no rock e divide opiniões nas redes sociais
JÉSSICA FALCHI CRITICA SEXUALIZAÇÃO NA GUITARRA E GERA DEBATE

A guitarrista Jéssica Falchi voltou ao centro das atenções recentemente, não apenas por seu novo projeto musical, mas também por declarações que reacenderam um debate recorrente dentro do universo do rock e do metal: a sexualização das mulheres no cenário musical. A artista, que integrou a banda Crypta, comentou abertamente sobre o tema durante participação em um podcast, provocando reações diversas entre fãs e colegas do meio.

Além da repercussão nas redes sociais, a fala também trouxe à tona discussões mais amplas sobre liberdade individual, representação feminina e a forma como o público consome performances musicais. Em paralelo, Falchi segue promovendo seu novo trabalho autoral, reforçando sua identidade artística em um momento de transição na carreira.

novo projeto musical e posicionamento artístico

Após sua saída da Crypta, Jéssica Falchi iniciou uma nova fase ao lado do guitarrista Jean Patton, conhecido por seu trabalho no Project46. Juntos, os músicos deram vida ao projeto Falchi, que estreou oficialmente com o EP instrumental “Solace”, lançado em janeiro.

O trabalho marca uma mudança de abordagem, priorizando composições instrumentais e explorando nuances técnicas da guitarra, sem a presença de vocais. Nesse contexto, a artista também aproveitou o momento para refletir sobre a forma como mulheres instrumentistas são percebidas no cenário musical.

Durante conversa com Isis Correia no podcast Amplifica, Falchi apontou que, em muitos casos, a atenção do público masculino recai mais sobre a aparência do que sobre a execução musical. Segundo ela, esse comportamento acaba influenciando a forma como algumas artistas se apresentam.

“Acho que as pessoas confundem muito esse lance de ‘meu corpo, minhas regras’ com… se você associar isso enquanto você está tocando guitarra, eu não acho que você está invertendo a pirâmide, sabe? Temos as mulheres sendo objetificadas e aí quando você põe uma menina sexualizada tocando, os caras nem vão ver se você está tocando bem ou não. Fora que vejo várias meninas super novas que acham que para você tocar guitarra, ser ‘metal’, você precisa estar sexualizada.”

A fala evidencia uma preocupação com a construção de referências para novas gerações, especialmente em um ambiente historicamente dominado por homens.

Jéssica Falchi em performance intensa, reforçando o foco na técnica e na expressão musical acima da estética. (Foto: Gustavo Diakov / @xchicanox)

liberdade individual versus percepção do público

Apesar da crítica, Falchi deixou claro que não se posiciona contra a liberdade individual das mulheres. Em sua fala, a guitarrista reforçou que cada pessoa deve se expressar da forma que desejar, mas destacou que, no seu caso específico, prefere não associar sua imagem a esse tipo de exposição.

“Às vezes eu gravo vídeo sem maquiagem. Se você quer me ver de biquíni tocando guitarra, você não vai ver. Eu não vou colaborar com esse tipo de conduta, porque eu vou realmente muito contra isso. Mas, óbvio, se a mulher se sente bem fazendo tal coisa, aí claro, ela fica livre para fazer o que quiser, né?”

A declaração aponta para uma linha tênue entre autonomia e percepção pública. Enquanto algumas artistas defendem o uso da sensualidade como forma de empoderamento, outras, como Falchi, enxergam essa prática como um possível reforço de estereótipos.

O debate não é novo, mas ganha novas camadas com o crescimento das redes sociais, onde a imagem frequentemente se torna tão relevante quanto a música em si. Plataformas digitais ampliam o alcance das artistas, mas também intensificam a exposição e os julgamentos.

repercussão nas redes e troca de opiniões

As declarações rapidamente repercutiram nas redes sociais, gerando uma série de comentários e interpretações divergentes. Entre as respostas, destacou-se a manifestação de Fernanda Mariutti, que discordou da abordagem de Falchi.

“Falar que a roupa que as meninas se gravam tocando contribui para o pensamento machista, é retrógrado demais para uma mulher incrível como você, Jessica. O rock tem que ser liberdade sempre!”

A crítica trouxe à tona um ponto central da discussão: até que ponto a escolha estética de uma artista influencia ou não a perpetuação de padrões dentro da indústria musical.

Falchi respondeu diretamente, esclarecendo sua posição e reforçando que não pretende limitar a liberdade de outras mulheres, mas sim questionar expectativas que, segundo ela, podem surgir dentro do próprio ambiente cultural.

“Acho que você não entendeu o que eu quis dizer. As mulheres podem e devem vestir e fazer o que quiserem!!! O meu questionamento é outro: hoje em dia, às vezes parece que, para ser vista como uma mulher empoderada, existe uma expectativa de se vestir de determinada forma e se você não segue isso, pode acabar sendo julgada como retrógrada ou até menos feminina. Fico muito feliz, inclusive, de ver cada vez mais mulheres sendo reconhecidas pelo seu talento e pela sua capacidade técnica, e não só pela aparência!”

A resposta reforça a complexidade do tema, que envolve múltiplas perspectivas dentro do próprio movimento feminino no rock e no metal. Enquanto algumas defendem a liberdade estética como forma de expressão, outras apontam para a necessidade de valorizar aspectos técnicos e artísticos.

O episódio evidencia como o cenário musical atual está em constante transformação, com artistas utilizando suas plataformas não apenas para divulgar trabalhos, mas também para provocar reflexões sobre o meio em que estão inseridas. No caso de Jéssica Falchi, a discussão surge em um momento de renovação de carreira, ampliando seu papel para além da performance musical e consolidando sua presença como uma voz ativa dentro do debate cultural.

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