Revisão independente reacende debate sobre MORTE DE KURT COBAIN

Estudo publicado em revista científica questiona laudos de 1994, mas autoridades mantêm classificação oficial como suicídio

Redação - SOM DE FITA

2/12/2026

A morte de Kurt Cobain, ocorrida em 5 de abril de 1994, em Seattle, voltou ao centro das discussões após a divulgação de uma nova análise independente publicada no International Journal of Forensic Science. O caso, oficialmente classificado como suicídio há mais de três décadas, ganhou novo fôlego depois que o especialista forense Brian Burnett revisitou documentos da autópsia e registros da cena da morte do vocalista do Nirvana.

A repercussão internacional cresceu após o tema ser destacado pelo jornal britânico Daily Mail. Embora o estudo apresente argumentos que apontariam para possíveis inconsistências na investigação original, os próprios autores fazem questão de esclarecer que não estão exigindo prisões nem responsabilizações criminais. O foco, segundo eles, é a transparência e a revisão técnica das evidências analisadas à época.

Análise técnica questiona conclusões de 1994

No artigo, Burnett afirma ter examinado laudos médicos, fotografias e registros da cena da morte, defendendo que determinados elementos não seriam compatíveis com morte instantânea por ferimento autoinfligido por arma de fogo, como determinado oficialmente em 1994. O ponto central da argumentação envolve a concentração de heroína encontrada no organismo de Cobain.

De acordo com o estudo, a quantidade detectada seria aproximadamente três vezes superior à dose considerada letal. Para o especialista, isso levantaria dúvidas sobre a possibilidade de autoadministração da substância seguida do manuseio da arma. O relatório também questiona a posição do projétil, manchas de sangue na cena e a ausência de impressões digitais nítidas na arma encontrada ao lado do músico.

Outro aspecto abordado diz respeito à carta de despedida atribuída a Cobain. A análise menciona divergências gráficas na parte final do documento, sugerindo diferenças de caligrafia. Esses pontos, segundo os autores, comporiam um conjunto de inconsistências que justificariam uma reavaliação técnica do caso.

Kurt Cobain em apresentação nos anos 1990; nova análise forense reacende o debate sobre sua morte. Foto: Reprodução

Pesquisadores pedem transparência, não prisões

Apesar de o estudo indicar a hipótese de homicídio, os próprios pesquisadores deixam claro que não exigem prisões nem responsabilizações judiciais imediatas. A intenção declarada é promover debate técnico e revisão independente das evidências.

Em declaração incluída no artigo, os autores afirmam: "Se estivermos errados, provem que estamos errados". A frase reforça que o objetivo não seria apontar culpados, mas solicitar que as conclusões oficiais sejam sustentadas por demonstrações técnicas claras diante dos questionamentos apresentados.

Segundo o estudo, avanços na ciência forense desde os anos 1990 poderiam permitir uma leitura diferente de evidências já conhecidas. Ainda assim, os pesquisadores destacam que sua atuação se limita à análise acadêmica, sem pleito formal por reabertura judicial ou punições.

Autoridades mantêm decisão original

Mesmo com a nova repercussão, o Departamento de Polícia de Seattle e o Instituto Médico Legal do Condado de King reafirmaram que não pretendem reabrir o caso. Em posicionamentos anteriores, as autoridades sustentaram que as evidências reunidas na época foram suficientes para concluir que se tratou de suicídio.

A morte de Cobain ocorreu em sua residência, em Seattle, e marcou profundamente a história do rock dos anos 1990. O músico tinha 27 anos e já enfrentava problemas relacionados ao uso de drogas e à saúde mental, aspectos amplamente documentados antes de sua morte.

Oficialmente, portanto, o caso permanece encerrado sob a classificação estabelecida em 1994. As novas alegações passam a integrar um histórico de questionamentos que, até o momento, seguem restritos ao debate público e acadêmico — sem que haja, por parte dos próprios autores do novo estudo, qualquer exigência de prisões ou medidas penais.

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