O vocalista e guitarrista do KISS, Paul Stanley, comentou recentemente sobre o projeto STANLEY SIMMONS, formado por seu filho Evan Stanley e Nick Simmons, filho de Gene Simmons. A dupla lançou em dezembro o single “Body Down” e já trabalha em um álbum completo previsto para este ano. Em entrevista ao programa The Drew Lane Show, Stanley abordou tanto a qualidade musical do trabalho quanto as críticas envolvendo possível favorecimento por conta do sobrenome dos músicos.
Segundo o artista, a parceria entre Evan e Nick surgiu de forma natural, apesar da convivência desde a infância. “Nick e Evan basicamente se conhecem a vida inteira, mas só se aproximaram de verdade no último ano, quando disseram: ‘Vamos tentar cantar ou compor juntos’”, explicou. Stanley afirmou ainda que já ouviu o álbum e fez elogios diretos: “O disco deles, que eu ouvi, é fenomenal pra caramba. Quero dizer, é tão bom quanto qualquer coisa que ouvi nas últimas três ou quatro décadas. É nesse nível.”
Debate sobre nepotismo ganha força com o projeto
A ligação direta com dois nomes históricos do rock rapidamente colocou STANLEY SIMMONS no centro de discussões sobre nepotismo na música. Paul Stanley, no entanto, minimizou esse tipo de crítica e argumentou que o talento continua sendo determinante para a permanência no mercado.
“A ideia de nepotismo — se você é ruim, vai cair de cara. Não acho que haja problema em aproveitar alguma familiaridade. Mas, no fim das contas, a maioria das pessoas que tenta viver disso fracassa, porque isso não é suficiente”, afirmou. Ele também destacou que está ansioso para ver a dupla se apresentar ao vivo.
A discussão ganhou ainda mais visibilidade após comentários sobre o estilo da música “Body Down”, comparada ao som de Crosby, Stills, Nash & Young. Stanley reconheceu as influências, mas rejeitou a ideia de cópia: “Eles são muito inspirados por todos os grandes. E tenho que dizer que, por melhor que ‘Body Down’ seja, o resto das músicas deixa ela pra trás… Não é imitação; é inspiração.”

Influências musicais e identidade própria
Evan e Nick também comentaram sobre o peso dos sobrenomes e a decisão de usar o nome STANLEY SIMMONS no projeto. Para Evan, a escolha foi mais simples do que parece: “É engraçado quando falam do lado de marketing. Nossos pais estão numa banda enorme, e isso é incrível. Mas quando dizem que estamos pegando carona nisso… cara, esses são literalmente nossos nomes. É meu nome de nascimento.”
Nick acrescentou que a escolha também dialoga com uma tradição de duplas musicais: “A gente gosta de bandas como Crosby, Stills & Nash, Hall & Oates e Simon & Garfunkel. Então pensamos: ‘Faz sentido’. Só depois vieram as críticas, tipo ‘olha eles explorando a conexão com o KISS’.”
Apesar das comparações, os dois destacam que o som do projeto segue outra direção. “Crescemos ouvindo muita música roots, folk, Americana, então isso aparece bastante. Não tem nada a ver com o que nossos pais fazem”, explicou Evan. Nick reforçou: “Eu nunca tenho a chance de fazer algo mais cru, mais orgânico. Então pensamos: ‘Vamos fazer isso porque é divertido’.”
Relação com os pais e expectativas do público
Mesmo com a experiência dos pais na indústria, Evan afirma que as decisões artísticas seguem independentes. “Eu peço a opinião do meu pai, mas sempre deixo claro que é só a visão dele. No fim, eu tenho que seguir o que acredito”, disse. Paul Stanley confirmou essa postura: “Posso dar meu ponto de vista, mas não sou qualificado para tomar decisões por ele. Só ele pode fazer isso.”
O projeto também conta com produção de Rob Cavallo, conhecido por trabalhos com o Green Day. Para o produtor, a principal característica do STANLEY SIMMONS é justamente a distância estética em relação ao KISS: “O mais interessante é que não tem nada a ver com o som do KISS. Eles têm uma vibração própria, algo meio Laurel Canyon moderno.”
Sobre a recepção do público, Nick reconhece que a resistência é inevitável: “Eu sou como qualquer consumidor — às vezes fico cansado de filhos de artistas tentando aparecer. Mas isso não importa se alguém realmente for bom.” Evan complementa destacando o papel do público: “Alguém pode ouvir por curiosidade, mas só vai continuar ouvindo se gostar de verdade. Isso não dá pra comprar.”
A origem do projeto também reforça a ideia de espontaneidade. Segundo Evan, tudo começou de forma despretensiosa: “Nunca era pra ser um projeto. A gente só queria cantar junto uma vez. Quando ouvimos depois, pensamos: ‘Isso é especial’.” Nick concorda: “Quando cantamos juntos, parece uma terceira voz. É algo novo.”
Com um álbum a caminho e crescente atenção do público, STANLEY SIMMONS surge como mais um exemplo de como conexões familiares podem abrir portas — mas não necessariamente garantir permanência. O desempenho da dupla nos próximos passos deve determinar se o projeto se sustenta além das comparações inevitáveis com seus sobrenomes.









