OZZY OSBOURNE: fita de ensaio perdida reaparece após 46 anos
Registro raro de 1980 revela jam inédita do cantor com Randy Rhoads e Bob Daisley antes da formação clássica da carreira solo
Redação - SOM DE FITA
2/6/2026




Uma gravação esquecida por mais de quatro décadas voltou a circular entre fãs e pesquisadores da história do heavy metal. Trata-se de uma fita cassete com ensaios inéditos de Ozzy Osbourne, registrada em 1980, período imediatamente posterior à sua saída do Black Sabbath. O material, considerado raro, documenta uma jam session informal que antecede a consolidação da primeira banda solo do vocalista.
Com aproximadamente 12 minutos de duração, a gravação foi batizada de “Ozzie Last Day” e apresenta Ozzy ao lado do guitarrista Randy Rhoads e do baixista Bob Daisley. O registro antecede a entrada do baterista Lee Kerslake, que completaria a formação responsável pelo álbum Blizzard of Ozz. O áudio captura um momento ainda indefinido, marcado mais pela experimentação do que por estruturas de músicas acabadas.
A redescoberta do material reacende discussões sobre um dos períodos mais decisivos da trajetória de Ozzy Osbourne, quando o cantor buscava se reinventar artisticamente após deixar uma das bandas mais influentes do rock pesado.
Um registro esquecido no sótão
A fita veio à tona após ser encontrada no sótão de David Jolly, que se aproximou de Ozzy pouco tempo depois de sua saída do Black Sabbath. Na época, o vocalista vivia um momento de incerteza profissional, enquanto tentava estruturar uma nova fase da carreira longe do grupo que o projetou internacionalmente.
Segundo o próprio Jolly, o material permaneceu guardado por décadas sem que ele tivesse plena noção de seu valor histórico. A redescoberta ocorreu durante uma reorganização do espaço, quando antigas fitas e objetos pessoais foram revisitados. Ao identificar o conteúdo, Jolly decidiu apresentar a gravação à Sky News, que acompanhou a audição e ajudou a tornar o achado público.
O áudio revela uma jam de blues conduzida de forma espontânea, com Ozzy explorando linhas vocais livres, sem letras definidas, enquanto Rhoads e Daisley sustentam a base instrumental. O caráter cru da gravação reforça a sensação de que se trata de um ensaio despretensioso, distante da lógica de estúdio ou de um projeto formal.



Ozzy Osbourne com Randy Rhoads e Bob Daisley em ensaio de 1980, durante o início da fase solo do vocalista. Foto: Fin Costello (Reprodução)

A confirmação da autenticidade
Para validar o material, a Sky News entrou em contato com Bob Daisley, que reconheceu imediatamente a gravação. “Assim que ouvi, pensei: sim, somos nós, essa é a voz do Ozzy”, afirmou o baixista. Daisley também destacou que não se recorda de um objetivo específico para aquela sessão. “Não sei se estávamos testando um baterista e apenas nos soltando um pouco, ou se estávamos apenas brincando… mas não era uma música em que estivéssemos trabalhando, porque já tínhamos músicas definidas naquela época.”
O depoimento reforça a ideia de que a fita não documenta uma composição destinada a lançamento, mas sim um momento de transição, quando os músicos ainda ajustavam dinâmicas e afinidades. Esse tipo de registro, embora informal, costuma ser valioso para pesquisadores e fãs por oferecer pistas sobre processos criativos que raramente vêm a público.
A confirmação da autenticidade também ajuda a contextualizar a importância histórica do material. Trata-se de um raro flagrante do início da parceria entre Ozzy Osbourne e Randy Rhoads, relação que seria fundamental para a identidade sonora da carreira solo do cantor nos anos seguintes.
Um retrato da transição para a carreira solo
Mais do que uma curiosidade de arquivo, a fita funciona como um retrato sonoro de um artista em reconstrução. Em 1980, Ozzy precisava provar que poderia seguir relevante fora do Black Sabbath, ao mesmo tempo em que buscava uma nova linguagem musical. A aproximação com músicos como Rhoads, Daisley e, posteriormente, Kerslake foi decisiva para esse reposicionamento.
O conteúdo da gravação não antecipa diretamente as músicas que integrariam Blizzard of Ozz, mas evidencia o ambiente criativo que possibilitou o surgimento do álbum. A liberdade da jam, a ausência de pressão comercial e o foco na interação entre os músicos ajudam a entender como aquela formação se consolidou rapidamente.
A descoberta da fita também amplia o acervo histórico ligado à carreira de Ozzy Osbourne, oferecendo um ponto de vista menos conhecido sobre um período amplamente documentado apenas por registros oficiais. Para fãs de heavy metal, trata-se de uma oportunidade de ouvir o nascimento de uma era; para a história da música, é mais um fragmento que ajuda a compreender como trajetórias lendárias são construídas a partir de momentos aparentemente simples e despretensiosos.
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