MEGADETH encerra trajetória com álbum final que revisita laços fundadores do thrash metal

Último disco da banda chega às plataformas digitais e escolhe “Ride The Lightning” como símbolo de fechamento de ciclo

Redação - SOM DE FITA

1/26/2026

O fim de uma trajetória longa e decisiva para o heavy metal ganhou forma concreta nesta sexta-feira, 23 de janeiro. O Megadeth lançou seu álbum final, intitulado simplesmente Megadeth, marcando oficialmente a despedida da banda dos estúdios. Em vez de apostar em uma coleção de inéditas ou em um tom excessivamente nostálgico, o grupo optou por um gesto direto: revisitar a própria origem por meio de uma releitura de “Ride The Lightning”, clássico do Metallica.

A escolha da faixa, longe de soar como provocação gratuita ou exercício de vaidade, funciona como um comentário final sobre a história do thrash metal e sobre o papel que Dave Mustaine teve em sua formação. Ao olhar para trás sem romantizar excessos ou conflitos, o disco se apresenta como um fechamento consciente de ciclo, dialogando com o passado sem tentar reescrevê-lo.

Um retorno calculado às origens

“Ride The Lightning” ocupa um lugar singular na história do metal extremo. Lançada originalmente em 1984, a música carrega a assinatura criativa de Dave Mustaine, que participou de sua composição durante seu período no Metallica, antes de sua saída da banda. Ao trazê-la para o contexto do último álbum do Megadeth, a releitura assume um caráter simbólico evidente.

No novo arranjo, a faixa ganha contornos mais densos, com timbres modernos e uma abordagem que reforça o peso e a agressividade característicos do Megadeth. Ainda assim, a essência do riff permanece intacta, funcionando quase como um elo entre duas histórias que se cruzaram no início dos anos 1980 e seguiram caminhos distintos desde então.

Mais do que um simples cover, a gravação soa como um acerto artístico: não há tentativa de superar a versão original nem de competir com ela, mas de reposicioná-la sob outra perspectiva. É um retorno às raízes que reconhece a influência daquele período inicial sem apagar o que veio depois.

O Megadeth se despede revisitando suas raízes e reafirmando seu papel na consolidação do thrash metal, optando por reflexão em vez de nostalgia — Foto: Divulgação

Técnica, identidade e discurso de despedida

Em entrevista recente ao canal espanhol MariskalRockTV, Mustaine comentou a escolha da música e detalhou elementos técnicos que, segundo ele, definem sua identidade como guitarrista. O músico destacou o uso do “spider chord” e do chamado “grunhido”, técnica em que a nota é alcançada por meio de um slide meio tom abaixo, recurso que intensifica a sensação de peso do riff.

Ao enfatizar esses aspectos, Mustaine reforça que a releitura não é apenas um gesto simbólico, mas também uma afirmação estética. A faixa evidencia características que se tornaram marcas registradas de seu estilo ao longo das décadas, servindo como síntese de uma linguagem musical construída ao longo de mais de quarenta anos.

Dentro do álbum, a música funciona como ponto de ancoragem conceitual. Mesmo com outras faixas explorando diferentes nuances do som da banda, “Ride The Lightning” estabelece o tom do disco: direto, pesado e sem concessões, mas também consciente de seu lugar na história.

Produção, legado e fechamento de ciclo

Lançado pelo selo Tradecraft, em parceria com o BLKIIBLK, braço do Frontiers Label Group, o álbum Megadeth encerra oficialmente a discografia da banda com um projeto que evita grandiloquência excessiva. A produção aposta em clareza sonora e equilíbrio, valorizando riffs, estruturas e a performance dos músicos sem recorrer a efeitos desnecessários.

Como despedida, o disco não busca reescrever a história do grupo nem oferecer respostas definitivas sobre rivalidades antigas. Em vez disso, propõe uma leitura madura de seu próprio percurso, reconhecendo influências, escolhas e consequências. A releitura de “Ride The Lightning” resume bem essa postura: olhar para trás com consciência, não com ressentimento.

O encerramento do Megadeth acontece, portanto, sem alarde desproporcional, mas com um gesto carregado de significado. Ao revisitar uma de suas raízes mais emblemáticas, a banda se despede reafirmando sua identidade e seu papel fundamental na consolidação do thrash metal. É o fim de uma era que opta pela reflexão em vez da nostalgia fácil, deixando um registro final que dialoga diretamente com sua própria história.

Confira o álbum abaixo.

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