Kirk Hammett colocou no ar em seu canal oficial no YouTube a gravação completa de um bate-papo realizado na State Library of New South Wales, em Sydney, no dia 14 de novembro de 2025. O encontro integrou a agenda de divulgação de The Collection: Kirk Hammett, publicação dedicada ao acervo de guitarras do músico, e agora passa a funcionar também como documento audiovisual de um projeto que vai além do formato tradicional de livro. Com cerca de 90 minutos de duração, o vídeo mostra Hammett revisitando passagens marcantes da carreira, falando sobre instrumentos que ajudaram a moldar sua identidade musical e reforçando a proposta de aproximar os fãs da história por trás de algumas das guitarras mais conhecidas ligadas ao seu nome.
Conduzida pelo jornalista musical Sean Sennett, a conversa tem um tom informativo, mas também pessoal. Em vez de servir apenas como peça promocional, o encontro amplia o conteúdo da obra ao trazer comentários, lembranças e contextos que ajudam a entender por que determinados instrumentos ocupam um lugar tão central na trajetória do guitarrista do Metallica. A publicação do vídeo, feita em 2 de abril, reacende o interesse em torno do livro e transforma um evento presencial em material acessível para o público global.
Um evento que amplia a proposta do livro
A disponibilização do bate-papo completo reforça a ideia de que The Collection: Kirk Hammett não foi pensado apenas como um item de luxo para colecionadores, mas também como um registro histórico da relação do músico com suas guitarras. Ao longo da conversa em Sydney, Hammett comenta não só aspectos técnicos dos instrumentos, mas também o peso emocional e artístico que cada peça carrega dentro de sua jornada. Esse tipo de abordagem ajuda a tirar o projeto do campo puramente estético e o coloca também como uma narrativa de formação musical.
No encontro, o guitarrista relembra momentos importantes da carreira e associa essas fases a instrumentos específicos, mostrando como certas guitarras acabaram ligadas a gravações, turnês e decisões criativas que marcaram a trajetória do Metallica. O resultado é um panorama que interessa tanto ao fã da banda quanto ao público que acompanha a cultura das guitarras clássicas, raras ou historicamente relevantes. O vídeo, nesse sentido, funciona como complemento natural do livro, porque permite ouvir do próprio Hammett as histórias que cercam o acervo retratado na publicação.
Outro ponto importante é que o formato da conversa torna o material mais acessível. Enquanto o livro aposta numa apresentação visual refinada e editorialmente sofisticada, o vídeo oferece uma experiência mais direta. Ver o músico comentando suas memórias em primeira pessoa cria uma conexão diferente com o público e dá mais vida às informações reunidas nas páginas da obra. Em vez de apenas exibir guitarras famosas, o projeto passa a mostrar como esses instrumentos se inserem em episódios decisivos da carreira de um dos nomes mais reconhecidos do metal mundial.
Turnê de lançamento aproximou fãs e bastidores
Ao divulgar o registro em seu canal, Hammett também relembrou a série de eventos realizados em sete cidades durante a turnê M72, contextualizando o bate-papo de Sydney dentro de uma ação mais ampla. Segundo a mensagem publicada junto ao vídeo, a intenção da iniciativa era compartilhar com os fãs os bastidores do livro e a importância histórica dos instrumentos apresentados no projeto. Isso ajuda a entender por que esses encontros foram tratados como parte essencial da divulgação, e não apenas como compromissos promocionais de rotina.
A estratégia revela uma preocupação em transformar o lançamento do livro em experiência. Em vez de limitar a obra ao circuito editorial ou ao mercado de colecionismo musical, Hammett levou a discussão para espaços presenciais, com mediação, conversa e troca com o público. Esse movimento faz sentido porque a coleção reunida no livro não se resume a objetos de valor alto ou apelo visual. São instrumentos ligados a passagens importantes do rock pesado, do Metallica e da própria construção artística de Hammett como guitarrista.
Também chama atenção o fato de a publicação do vídeo acontecer meses depois do evento original. Isso prolonga a vida útil da turnê de divulgação e reposiciona aquele encontro como conteúdo de interesse contínuo. Para fãs que não puderam comparecer aos eventos, o registro oferece agora acesso direto à conversa completa. Para quem já conhecia o projeto, o vídeo renova a curiosidade em torno do livro e reforça sua dimensão documental. Em tempos em que lançamentos costumam se esgotar rapidamente na lógica do feed, esse tipo de material ajuda a manter a obra em circulação por mais tempo.
Além disso, o contexto da turnê M72 dá peso adicional à iniciativa. Aproveitar a visibilidade de uma grande excursão mundial para apresentar o livro foi uma forma eficiente de conectar palco, memória, coleção e mercado editorial. O projeto se encaixa, assim, em uma lógica mais ampla de construção de legado, algo cada vez mais comum entre artistas veteranos que buscam organizar e apresentar sua história para além dos discos e shows.
Livro destaca guitarras raras e momentos decisivos
Publicado pela Gibson Publishing, The Collection: Kirk Hammett se apresenta como um livro de luxo em capa dura dedicado a documentar, em detalhes, as guitarras usadas pelo músico ao longo da carreira, tanto em estúdio quanto nos palcos. A proposta editorial da obra é tratar cada instrumento não só como peça de coleção, mas como parte ativa da história de Hammett e, por extensão, do Metallica. Ao mapear a origem, o percurso e a relevância dessas guitarras, o livro constrói um retrato bastante específico de como um acervo pode narrar a evolução de um artista.
Hammett também destacou o trabalho do fotógrafo Ross Halfin, responsável pelas imagens da obra, e agradeceu à Gibson pelo apoio ao projeto. A menção faz sentido porque o livro depende justamente desse encontro entre documentação visual e memória musical. No caso de guitarras tão conhecidas ou cercadas de simbolismo, a fotografia não cumpre apenas função ilustrativa: ela ajuda a consolidar o valor histórico e afetivo do instrumento dentro da narrativa proposta. O mesmo vale para referências a modelos lendários como a “Greeny”, citada por Hammett como parte dessa conexão com a tradição das guitarras emblemáticas do rock.
Disponível mundialmente pelo site oficial da Gibson e nas lojas Gibson Garage, o título chegou ao mercado em três formatos: edições Custom e Deluxe, ambas assinadas e numeradas, além de uma edição padrão. Essa divisão deixa claro que o projeto busca atender perfis distintos de público, do colecionador interessado em versões limitadas ao leitor que quer apenas acessar o conteúdo principal da obra. No fim, a publicação do vídeo em Sydney reforça exatamente isso: The Collection: Kirk Hammett não é só um produto para admirar de longe, mas uma tentativa de organizar, comentar e compartilhar um pedaço importante da história de um dos guitarristas mais influentes do metal.