OPETH PREPARA LONGA PAUSA APÓS TURNÊ COM DOIS SHOWS NO BRASIL

Martin Méndez comenta o repertório das apresentações em Curitiba e São Paulo, os bastidores do álbum mais recente e o descanso previsto para a banda.
Opeth fará longa pausa após turnê com shows no Brasil

O Opeth voltará ao Brasil com dois shows da turnê de The Last Will and Testament e uma pausa prolongada no horizonte. Em entrevista à 89 A Rádio Rock, o baixista Martin Méndez afirmou que o grupo pretende descansar depois de concluir o ciclo de apresentações do disco. A agenda brasileira inclui Curitiba, em 5 de novembro, na Ópera de Arame, e São Paulo, no dia 6, no Espaço Unimed. Para quem acompanhou a passagem anterior, em 2025, a diferença estará no tempo disponível: desta vez, a banda terá apresentações próprias e poderá desenvolver um repertório mais extenso, passando por diferentes momentos da carreira ao longo de três décadas.

“Desta vez teremos nosso próprio show. Será mais longo em comparação com o anterior, quando estávamos acompanhando outras grandes bandas. Será uma apresentação completa. Esta é a última etapa da turnê deste álbum e, depois disso, vamos fazer uma pausa bem longa”, explicou Méndez. O relato coloca as datas brasileiras na reta final da divulgação do trabalho lançado em 2024. Durante a conversa, o músico também comentou a escolha das canções, a construção do álbum e sua relação com a música brasileira. A duração do descanso não foi definida, assim como não foi apresentada uma previsão para o retorno às atividades ou para novas gravações.

Entre clássicos e resgates

Com 14 álbuns de estúdio, o Opeth precisa acomodar diferentes fases em uma mesma apresentação. Segundo Méndez, o repertório atual reúne três faixas de The Last Will and Testament, músicas antigas e escolhas menos frequentes. A proposta é organizar esse material com variações de intensidade, criando espaço tanto para o peso quanto para passagens mais tranquilas.

“Normalmente tentamos criar uma espécie de formato em V na energia do repertório. Começamos bem pesados, diminuímos um pouco a intensidade e terminamos pesados novamente”, contou. A explicação ajuda a entender como o grupo distribui suas diferentes características ao vivo, sem manter o mesmo nível de intensidade durante toda a apresentação.

Entre os resgates mencionados está “Godhead’s Lament”, de Still Life, lançado em 1999. A composição ficou muitos anos ausente dos shows e voltou a integrar as apresentações. Para o baixista, revisitar esse material também significa reencontrar escolhas musicais feitas em outro momento da banda, agora com a experiência acumulada na estrada e uma perspectiva diferente sobre elas.

“Às vezes você acaba se surpreendendo quando volta a tocar uma música depois de tanto tempo. É interessante perceber o que fazíamos naquela época”, comentou. O retorno da faixa exemplifica o espaço reservado ao catálogo antigo, enquanto as músicas do disco mais recente mantêm a ligação dos shows com a turnê atual.

Martin Méndez antecipa shows mais longos no Brasil e confirma uma pausa prolongada do Opeth após a turnê. (Foto: Mariano Regidor/Redferns)

O disco e os próximos passos

The Last Will and Testament desenvolve uma história de segredos familiares, conflitos e disputas por herança. Méndez recebeu de Mikael Åkerfeldt boa parte das composições de uma vez, o que facilitou compreender a narrativa desde o começo. O trabalho recupera os vocais guturais, ausentes dos discos de estúdio mais recentes do grupo.

“É claro que você consegue ouvir influências de nós mesmos, incluindo o retorno dos guturais, que faziam parte do nosso som antigamente. Mas acho que é um álbum bastante novo. Conseguimos fazer algo um pouco diferente do que já tínhamos feito”, afirmou. Na avaliação do músico, portanto, a retomada dessa característica acompanha novas possibilidades de composição.

O álbum também tem participações de Ian Anderson, do Jethro Tull, e Joey Tempest, do Europe. “Ter esses caras participando é como realizar um sonho. São lendas. É quase surreal ter músicos assim no nosso álbum”, destacou. Méndez apresentou os encontros como experiências especiais dentro do processo de realização do trabalho, pela trajetória dos dois artistas convidados.

Depois da estrada, porém, a prioridade será recuperar as energias. “Precisamos relaxar primeiro, nos recuperar, conseguir uma nova energia e depois começar a pensar em novas músicas”, afirmou. A declaração situa o descanso antes de qualquer planejamento de composições e afasta a expectativa de uma entrada imediata em estúdio após a turnê.

A ligação com o Brasil

A conversa com a 89 também revelou referências brasileiras no repertório pessoal de Méndez. O baixista mencionou João Bosco, Arthur Maia e Júnior Braguinha, além de destacar a bossa nova e o jazz brasileiro. “Eu amo a música brasileira. Existem muitos baixistas excelentes e muita música boa no Brasil”, disse.

Essa aproximação passa ainda por uma memória de família. O pai de Méndez também tocava baixo e apresentou ao filho o nome da Giannini. Anos depois, durante uma viagem ao país com a banda, o músico encontrou a oportunidade de comprar um instrumento da marca e levar essa lembrança para casa, conectando a viagem à própria formação.

“Quando eu estava começando a aprender baixo, meu pai falava sobre os instrumentos Giannini, porque ele tinha um. Em uma das viagens ao Brasil, tive a oportunidade de comprar um e levá-lo para casa”, relembrou. O episódio acrescenta uma ligação pessoal às visitas profissionais realizadas pelo integrante do Opeth ao Brasil.

Sobre os fãs, Méndez destacou a participação nas apresentações: “É um público muito apaixonado. Gostamos quando as pessoas cantam as melodias e fazem bastante barulho. Você realmente sente a energia da plateia.” Antes da pausa, esse encontro será retomado em Curitiba e São Paulo, com shows próprios e espaço para percorrer diferentes fases da banda.

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