DAVE MUSTAINE DIZ QUE MEGADETH ABRIU ESPAÇO PARA GUITARRISTAS

Dave Mustaine também relembrou “Peace Sells”, escolheu três músicas favoritas e comentou a despedida mundial do Megadeth
Dave Mustaine fala sobre o legado do Megadeth no metal

O Megadeth atravessa uma fase marcada por balanços de carreira, novo álbum e preparação para uma extensa turnê de despedida. Em entrevista ao Mystic Festival, da Polônia, Dave Mustaine foi questionado sobre a maior conquista da banda e apontou uma mudança na percepção dos guitarristas de metal. Para ele, o grupo ajudou a ampliar o espaço e o reconhecimento desses músicos.

Ao falar sobre a trajetória do Megadeth, Mustaine também revisitou “Peace Sells”, faixa que considera importante para a formação de sua identidade como vocalista e compositor. A música integra “Peace Sells… But Who’s Buying?”, lançado em 1986. Na mesma conversa, ele escolheu três canções favoritas e explicou os motivos por trás de cada uma.

A entrevista ocorre enquanto o Megadeth se prepara para novas etapas de sua despedida mundial. A banda também alcançou o topo da Billboard 200 com seu álbum autointitulado, lançado em 2026.

O respeito aos guitarristas

Ao responder qual considera ser a maior realização do Megadeth, Dave Mustaine destacou o impacto da banda na forma como guitarristas de metal passaram a ser percebidos. Segundo ele, músicos tecnicamente importantes já existiam no gênero, mas atuavam em grupos pequenos e tinham pouco reconhecimento.

“Conseguir respeito para os guitarristas de metal. Acho isso realmente ótimo, porque quando começamos, os guitarristas de metal já eram realmente ótimos, mas as pessoas simplesmente não tinham nenhum respeito por eles porque as bandas em que tocavam eram bandas muito pequenas. E, à medida que avançamos e abrimos mais portas, algumas delas tivemos que arrombar, mas abrimos portas para nós mesmos e para outras pessoas.”

A declaração resume uma parte importante da história do Megadeth. Formado por Mustaine em 1983, o grupo se tornou um dos nomes centrais do thrash metal e ajudou a levar o gênero a públicos maiores. Para o vocalista, esse processo também criou oportunidades para outros músicos. A trajetória do grupo passou por diferentes momentos de expansão comercial, sem abandonar a presença da guitarra como elemento central de sua identidade. A percepção de Mustaine sobre esse legado está ligada ao crescimento do metal a partir dos anos 1980 e à profissionalização de artistas que antes circulavam em espaços menores.

Dave Mustaine durante entrevista ao Mystic Festival, na Polônia. (Foto: Reprodução/Youtube)

A importância de Peace Sells

Questionado se “Peace Sells” representou um ponto de virada, Mustaine explicou que não percebeu a mudança dessa maneira na época. Ainda assim, identificou na composição um elemento novo: uma passagem mais melódica em meio à agressividade característica do grupo.

“Eu não senti isso… Não sentia isso havia muito tempo. E eu sabia, quando escrevi a música, que havia uma parte no meio, a parte intermediária, que foi a primeira vez que criei algo tão melódico. Todo o resto era realmente agressivo, daquele tipo que arranca sua cara. E ‘Peace Sells’, o andamento era mais lento, o riff era mais lento, e o sarcasmo na letra, ‘O que você quer dizer?’ Sabe? Esse foi o começo de meu personagem realmente ganhar forma para mim como frontman, cantor e letrista.”

Mustaine também escolheu “Symphony Of Destruction”, “Holy Wars… The Punishment Due” e “Peace Sells” como suas três principais músicas do Megadeth. Ele relacionou as duas primeiras à união sugerida pelas letras e destacou em “Peace Sells” o humor, o sarcasmo e a busca por uma vida melhor entre os fãs de metal. A escolha reúne faixas de três momentos diferentes da discografia e mostra como o compositor associa suas canções tanto aos riffs quanto às mensagens presentes nas letras.

Megadeth prepara despedida mundial

A nova fase inclui “Breakout: Hibernation Of The Nations”, capítulo europeu da despedida mundial planejada para acontecer ao longo de vários anos e continentes. A etapa começa em 9 de março de 2027, em Belfast, e terá 24 apresentações no Reino Unido e na Europa continental, terminando em 13 de abril, em Lisboa.

Black Label Society e Testament acompanharão o Megadeth durante toda a excursão europeia. A etapa passará por 12 dos 22 mercados globais em que o álbum mais recente alcançou o Top 5, reforçando a presença internacional construída pela banda.

O disco “Megadeth” estreou no primeiro lugar da Billboard 200 após registrar 73 mil unidades equivalentes nos Estados Unidos na semana encerrada em 29 de janeiro de 2026, segundo a Luminate. Desse total, 69 mil vieram das vendas puras de álbuns físicos e digitais. O trabalho também liderou as paradas da Austrália e da Áustria e entrou no Top 5 em outros mercados europeus. Ficou em segundo lugar na Finlândia, Suécia e Bélgica; em terceiro no Reino Unido e na Alemanha; em quarto na Holanda; e em quinto na Itália e na Nova Zelândia. Em alguns desses mercados, o álbum também alcançou a primeira posição entre os lançamentos físicos.

Para o álbum, o Megadeth voltou a trabalhar com Chris Rakestraw, produtor, engenheiro e responsável pela mixagem dos dois discos anteriores. Na formação atual, Mustaine está ao lado do guitarrista Teemu Mäntysaari, do baterista Dirk Verbeuren e do baixista James LoMenzo. Mäntysaari entrou após a saída de Kiko Loureiro, que em 2023 anunciou que não participaria da etapa seguinte da turnê “Crush The World” para permanecer com os filhos na Finlândia. O resultado reforça o alcance internacional do grupo.

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