PAPANGU REVELA “CELESTE”, FAIXA QUE ANTECIPA O ÁLBUM “CELESTIAL”

Novo single da banda paraibana explora referências do rock progressivo, da música universal brasileira e das experiências vividas durante sua recente turnê internacional
Papangu lança "Celeste" e antecipa novo álbum "Celestial"

A banda paraibana Papangu disponibilizou nas plataformas digitais o single “Celeste”, primeira amostra do álbum Celestial, previsto para chegar ao público em 7 de agosto pelo selo Deck. A nova faixa, que empresta seu nome ao conceito central do próximo trabalho do grupo, reafirma a proposta artística da banda de transitar entre o rock progressivo, a música experimental e referências culturais diversas, construindo paisagens sonoras que desafiam classificações convencionais.

Com pouco mais de dez anos de trajetória, a Papangu vem consolidando seu espaço dentro da cena progressiva contemporânea ao combinar elementos do rock experimental, jazz, música brasileira e influências regionais nordestinas. Em “Celeste”, essa abordagem ganha uma nova camada conceitual, inspirada tanto pela obra do grupo francês Magma quanto pelo pensamento musical desenvolvido por Hermeto Pascoal ao longo de décadas.

A conexão entre esses dois universos serviu como ponto de partida para a criação do single e, posteriormente, para a escolha do título do novo álbum. Enquanto Christian Vander, fundador do Magma, desenvolveu a linguagem fictícia Kobaïan e o gênero Zeuhl — palavra que significa “celestial” nesse universo —, Hermeto construiu sua trajetória artística a partir da ideia de que todos os sons existentes fazem parte de uma mesma experiência musical. Ao perceberem essa aproximação conceitual, os integrantes da Papangu encontraram um eixo capaz de organizar esteticamente o novo trabalho.

Além dessas referências históricas, a composição também foi impactada pela primeira turnê internacional realizada pela banda. Durante os deslocamentos pela estrada, os músicos revisitaram intensamente o álbum Marca Passo (2025), do Azymuth, experiência que acabou influenciando a construção de timbres, texturas e atmosferas presentes na gravação.

A faixa apresenta uma combinação de elementos aparentemente distantes: um piano propositalmente desafinado, passagens ritualísticas, momentos de tensão crescente e trechos que evocam tanto o jazz fusion brasileiro quanto o rock progressivo europeu dos anos 1970. O resultado é uma obra que dialoga com diferentes tradições sem abrir mão da identidade construída pela Papangu ao longo de sua discografia.

Entre sonhos e cosmos

O conceito narrativo de “Celeste” também nasceu de experiências pessoais do guitarrista Pedro Francisco, responsável por desenvolver a estrutura principal da composição. Segundo o músico, a obra foi construída a partir de imagens surgidas em sonhos, estados de semiconsciência e memórias de viagem.

“Quando pensei no arranjo de ‘Celeste’, comecei por uma melodia que veio de um sonho. Ela também encerra a música. No sonho, um menino vê um objeto voador no céu e fica encantado. O objeto desaparece, mas ele passa a querer fazer contato. É aí que entra a parte mais ritualística e tensionada da música: o menino tenta se comunicar, insiste, faz esse chamado.

Finalmente, ele consegue. O contato acontece, ele é abduzido e embarca numa viagem com esse “corpo celeste”. Mas, no final, ele é devolvido à Terra. Jogado de volta, por assim dizer. A única coisa que permanece é a melodia. Ela é a recordação da experiência. No final, ele vê o objeto voador partindo.

A primeira ideia veio quando visitava um anfiteatro romano em Nîmes, França. Me surgiu uma melodia com um clima meio Arquivo X, que guardei. Depois, fiz uma segunda parte ritualística influenciada por Magma. Esta seção inteira virou o meio da música. Para mim, ela representa uma espécie de trânsito, de confronto, uma perseguição ou discussão. O resultado ficou com esse clima de tensão e conflito.

A terceira ideia, o tema principal, veio do sonho relatado; ou melhor, de um estado entre o sono e a vigília. Estava meio acordado e meio dormindo quando a melodia apareceu inteira. Logo que despertei, sentei ao piano e gravei. A melodia veio primeiro; depois encontrei os acordes e simplesmente saiu.

A música é basicamente construída em torno desses três temas. É quase uma sonata.”

Ao reunir influências do Zeuhl francês, da música universal brasileira, do jazz fusion e de experiências pessoais transformadas em narrativa musical, “Celeste” funciona como uma síntese da fase atual da Papangu. A faixa também oferece uma prévia do universo conceitual que será aprofundado em Celestial, trabalho que marca mais um passo na evolução artística de uma das bandas brasileiras mais comentadas da cena progressiva contemporânea.

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