A voz rouca que ajudou a transformar o AC/DC em uma das maiores bandas de rock do planeta é conhecida por milhões de fãs. Mas longe dos palcos, Brian Johnson cultiva outra paixão há décadas: os automóveis. Colecionador, piloto amador e profundo conhecedor do universo automobilístico, o cantor britânico já acumulou experiências com modelos dos mais variados tipos, desde clássicos históricos até carros populares que não deixaram boas lembranças.
Recentemente, o músico comentou quais foram o melhor e o pior veículo que já passaram por sua garagem. Como costuma acontecer quando Johnson fala sobre carros, as respostas vieram acompanhadas de bom humor, histórias curiosas e observações sinceras sobre o prazer — ou o sofrimento — de estar ao volante.
Mais do que uma simples preferência pessoal, as escolhas ajudam a entender a relação especial que o vocalista mantém com o automobilismo, uma atividade que acompanha sua vida paralelamente à música há muitos anos.
Uma paixão que vai além do rock
Embora seja mundialmente reconhecido como integrante do AC/DC, Brian Johnson construiu uma relação intensa com os carros desde muito antes de alcançar fama internacional. Ao longo da carreira, ele se tornou presença frequente em eventos automotivos, participou de programas dedicados ao tema e chegou a competir em provas de prestígio.
Entre suas experiências mais conhecidas está a participação nas tradicionais 24 Horas de Daytona, uma das competições mais importantes do automobilismo de resistência. O envolvimento do cantor com as corridas nunca foi apenas um hobby ocasional. Ele sempre demonstrou conhecimento técnico e grande admiração pela engenharia dos veículos que marcaram diferentes épocas.
Essa dedicação também se refletiu em sua coleção particular. Ao longo dos anos, Johnson reuniu diversos modelos clássicos e históricos, muitos deles considerados verdadeiras relíquias por colecionadores.
Por isso, quando o cantor é questionado sobre carros, suas respostas costumam despertar interesse não apenas entre fãs de rock, mas também entre apaixonados pelo universo automotivo. Sua experiência prática, somada à vivência como colecionador, faz com que suas opiniões carreguem um peso especial dentro desse meio.

O Bentley de 1928 que conquistou seu coração
Quando perguntado sobre o melhor carro que já teve, Brian Johnson não demonstrou qualquer dúvida. Sua escolha foi um Bentley Le Mans de 4,5 litros fabricado em 1928, um dos modelos mais emblemáticos da história da fabricante britânica.
Segundo o vocalista, trata-se de uma verdadeira obra-prima da engenharia automotiva. O fascínio pelo veículo não está apenas na raridade ou no valor histórico, mas principalmente na sensação proporcionada ao volante.
Ao comentar a experiência de conduzi-lo, Johnson destacou uma característica que diferencia o clássico de muitos automóveis modernos. “Ele não tem para-brisa, cara! Tenho de usar óculos de proteção, minha jaqueta de couro e o chapéu fica para trás. Só preciso colar meu bigode!”, brincou.
A observação faz referência ao fato de que o modelo foi concebido com foco esportivo e inspirado nos carros de competição da época. A ausência de para-brisa reforça justamente essa proposta de oferecer uma experiência mais direta e intensa ao motorista.
O Bentley 4,5 litros ficou marcado na história por sua ligação com as corridas de resistência. Versões semelhantes conquistaram destaque nas 24 Horas de Le Mans durante os anos 1920, ajudando a consolidar a reputação da marca britânica.
Produzido entre 1927 e 1931, o modelo teve cerca de 720 unidades fabricadas. Hoje, exemplares preservados ou restaurados estão entre os clássicos mais valorizados do mercado de colecionadores, sendo frequentemente vistos em eventos históricos e leilões especializados.
Para Johnson, porém, o encanto parece ir muito além do valor financeiro. Sua admiração pelo Bentley está ligada à sensação única que o carro proporciona, algo que ele considera difícil de encontrar nos veículos contemporâneos.
O Austin Maxi que ele prefere esquecer
Se a escolha do melhor carro veio acompanhada de entusiasmo, a definição do pior veículo da carreira automobilística de Brian Johnson foi igualmente direta.
O cantor apontou o Austin Maxi como o automóvel menos agradável que já possuiu. Produzido pela British Leyland entre 1969 e 1981, o modelo ocupou um espaço importante na indústria britânica por ter sido um dos primeiros hatchbacks produzidos em larga escala no Reino Unido.
Apesar da relevância histórica, Johnson não guarda boas recordações do veículo.
Com seu humor característico, o vocalista descreveu o carro como “uma caixa de fósforo com esteroides”. Segundo ele, a única característica que realmente permitia classificá-lo como automóvel era a presença de um volante.
“Era a forma mais básica de transporte!”, afirmou.
O músico ainda relembrou a época em que um vizinho possuía um Lada, marca soviética bastante popular em determinados mercados durante o século passado. Em tom de brincadeira, Johnson sugeriu que ser visto em um daqueles carros era ainda mais constrangedor do que aparecer atrás de uma ovelha.
Apesar das críticas bem-humoradas, o Austin Maxi teve importância significativa em seu período. O modelo buscava oferecer espaço interno generoso e praticidade para famílias, características valorizadas por muitos consumidores da época.
As declarações de Brian Johnson mostram que, assim como acontece com a música, a paixão por carros também envolve emoções, memórias e experiências pessoais. Entre um lendário Bentley de competição e um modesto hatchback britânico, o vocalista do AC/DC encontrou extremos que continuam rendendo boas histórias para contar.



