Após um longo período sem lançar um álbum de estúdio, o Anthrax finalmente confirmou os detalhes de seu novo trabalho. Batizado de “Cursum Perficio”, o disco chega em 18 de setembro na América do Norte pela Megaforce Records e na Europa pela Nuclear Blast. Antes disso, os fãs poderão ouvir o primeiro single, “It’s For The Kids”, que será lançado oficialmente nesta sexta-feira, 15 de maio.
O novo álbum marca o retorno do grupo ao estúdio depois de “For All Kings”, lançado em 2016. Parte das gravações e das sessões de mixagem aconteceu no Studio 606, espaço pertencente a Dave Grohl, na Califórnia. A produção ficou novamente nas mãos de Jay Ruston, colaborador recorrente da banda em discos recentes como “Worship Music” e “For All Kings”.
Além do anúncio do álbum, o Anthrax também revelou que o videoclipe de “It’s For The Kids” foi gravado ainda em dezembro do ano passado, indicando que a banda já vinha preparando cuidadosamente o retorno desde 2025.
Um álbum cercado de expectativa dentro da banda
O título “Cursum Perficio” chamou atenção imediatamente entre os fãs. A expressão em latim ficou conhecida por estar inscrita na entrada da última casa de Marilyn Monroe, em Los Angeles. Embora muita gente interprete a frase como “minha jornada termina”, o significado mais próximo seria algo como “eu vou perseverar” ou “estou completando minha jornada”.
O disco deve trazer 11 faixas inéditas, incluindo títulos como “Persistence Of Memory”, “The Long Goodbye”, “The Edge Of Perfection”, “Infectious” e “My Victory”. Segundo os integrantes, o material representa uma evolução natural do som apresentado nos trabalhos anteriores, mas com uma abordagem ainda mais pesada e elaborada.
Em entrevista recente ao podcast australiano Everblack, o baterista Charlie Benante falou sobre sua empolgação com o lançamento. “Estou muito animado com isso. Estou muito feliz. Este disco está realmente muito, muito bom”, afirmou.
Benante também comentou sobre o cenário atual da indústria musical e a forma como o grupo decidiu tratar o lançamento. “Hoje em dia é tudo muito diferente. Se isso fosse há 20 anos, estaríamos falando de outra maneira sobre como apresentar esse disco. Agora parece que a música se tornou descartável demais”, explicou.
O músico ainda reforçou que o Anthrax quis construir um álbum consistente do começo ao fim. “Este disco não tem só três ou quatro músicas boas e o resto descartável. Cada faixa funciona sozinha. Quando uma termina e entra a próxima, você pensa: ‘Caramba, essa é tão boa quanto a anterior’”, declarou.

O intervalo de dez anos e os impactos da pandemia
Embora o hiato entre discos tenha chamado atenção, o guitarrista Scott Ian explicou que a banda não planejava passar tanto tempo longe do estúdio. Segundo ele, o ciclo de turnês de “For All Kings” se estendeu até o fim de 2019, e o grupo já havia começado a trabalhar em novas músicas antes da pandemia.
“Nós não planejamos levar dez anos”, comentou Ian em entrevista ao programa “50 Shades Of Slaids”. “Terminamos a turnê de ‘For All Kings’ em novembro de 2019 e já estávamos escrevendo material novo. A ideia era voltar em 2020 para gravar, mas o mundo tinha outros planos para todo mundo.”
De acordo com o guitarrista, o processo acabou sendo interrompido e retomado apenas em 2021. Ainda assim, ele acredita que o tempo efetivo de composição e gravação ficou dentro do normal para uma banda do porte do Anthrax.
Ian também falou sobre a ansiedade para mostrar o álbum ao público. “Oito pessoas ouviram esse disco até agora. Eu mal posso esperar para que as pessoas escutem. É como ter a arma mais poderosa do mundo nas mãos, mas faltar uma pequena peça para conseguir usar”, brincou.
O baixista Frank Bello seguiu na mesma linha ao comentar o novo material. Segundo ele, algumas partes das músicas estão entre as mais difíceis que a banda já executou. “Estou muito orgulhoso. Está muito pesado. Algumas partes são realmente difíceis de tocar, e eu gosto desse desafio”, afirmou.
Bello também destacou o desempenho vocal de Joey Belladonna. “Eu não entendo como ele consegue cantar desse jeito até hoje, mas ele continua destruindo”, declarou.
Processo criativo, peso sonoro e planos para a turnê
Frank Bello também revelou detalhes sobre o método de composição utilizado pela banda durante a pandemia. Segundo ele, o Anthrax tentou trabalhar remotamente, mas encontrou dificuldades técnicas e criativas para manter a dinâmica tradicional de criação.
“Não dava para fazer tudo por vídeo por causa do atraso do áudio. Você perdia completamente a vibração”, explicou. O grupo então passou a trocar arquivos digitalmente até conseguir voltar a ensaiar presencialmente quando as restrições diminuíram.
O baixista comparou o processo de criação de um álbum à preparação de um bolo, destacando a importância da colaboração entre os integrantes. “É como fazer um bolo. Primeiro vem a base musical, depois as melodias e por fim as letras. Todo mundo pode trazer ideias”, comentou.
Ele também destacou que a banda precisou abrir mão de várias ideias durante o desenvolvimento das músicas. “Às vezes você perde partes que ama, mas se aquilo não funciona para a música, precisa sair. No fim das contas, tudo é sobre a música”, afirmou.
Charlie Benante revelou ainda que o Anthrax buscou expandir seus próprios limites criativos no novo trabalho. “Nós realmente levamos as coisas além neste disco”, disse o baterista.
Outro detalhe que chamou atenção foi a criação da capa do álbum. Benante contou que trabalhou ao lado do artista Mark Stutzman, conhecido por desenvolver artes conceituais para projetos ligados ao ilusionista David Blaine.
Enquanto o lançamento se aproxima, a banda também prepara uma agenda de shows para promover o novo trabalho. Benante deixou claro que “Cursum Perficio” será tratado como uma prioridade dentro do Anthrax nos próximos meses. “Esse disco é um lançamento muito importante para nós. Vamos fazer o máximo de shows possível para apoiar esse álbum”, afirmou.
Com mais de quatro décadas de carreira, o Anthrax segue como um dos nomes mais importantes do thrash metal ao lado de Metallica, Slayer e Megadeth. Agora, o grupo aposta em “Cursum Perficio” como um novo capítulo de peso em sua trajetória.



