A banda Abissal apresenta ao público o EP “Sutra”, um lançamento que marca uma nova fase em sua trajetória artística. Disponibilizado nas plataformas digitais pelo selo Casalago Records, o trabalho reúne cinco faixas que exploram uma proposta de imersão sonora, combinando elementos de introspecção, espiritualidade e elaboração emocional.
O projeto surge como resultado de um processo de amadurecimento estético e reorganização criativa da banda, consolidando uma identidade mais definida. Com um conceito centrado na jornada interior, “Sutra” se estrutura como uma experiência contínua, onde cada faixa contribui para a construção de um percurso narrativo que envolve autoconhecimento, enfrentamento de traumas e momentos de catarse.
A abordagem musical privilegia a ambiência e a dinâmica, equilibrando contrastes entre tensão e suavidade. O EP revela uma preocupação com textura sonora, explorando camadas e atmosferas que dialogam diretamente com o conceito proposto.
construção sonora e narrativa do ep
“Sutra” se inicia com sua faixa-título, que estabelece o tom do trabalho ao apresentar uma combinação de harmonias dissonantes, timbres sintéticos e uma atmosfera etérea. A escolha estética reforça a proposta introspectiva, criando um ambiente que convida à contemplação e à escuta atenta.
Na sequência, “Ouroboros” amplia o dinamismo do EP, introduzindo uma energia mais pulsante sem abandonar a densidade característica do grupo. A faixa estabelece um contraste importante dentro do repertório, contribuindo para a progressão narrativa do trabalho.
“Meu Templo” direciona o foco para questões mais pessoais, abordando temas relacionados à cura emocional e ao enfrentamento de conflitos internos e familiares. A composição se destaca pela construção melódica e pela forma como integra lirismo e intensidade.
“O Caminho” expande a ideia de jornada, funcionando como uma espécie de transição dentro do EP. Já “Miracéu”, faixa instrumental que encerra o trabalho, apresenta um desenvolvimento mais aberto e expansivo. O encerramento é marcado pela fala “foi?” e pelo som das baquetas sendo deixadas de lado, um detalhe que reforça simbolicamente o fim do ciclo proposto pela obra.

influências e identidade sonora
A sonoridade da Abissal dialoga com referências do rock alternativo e do grunge dos anos 1990, ao mesmo tempo em que incorpora elementos de gêneros como dream pop, indie e post-rock. Essa combinação resulta em uma identidade híbrida, marcada tanto pelo peso quanto pela delicadeza.
Entre as influências mencionadas pelo grupo estão nomes como Nirvana, Silverchair e Radiohead, além de projetos mais contemporâneos como The Smile e Men I Trust.
Outras referências incluem Elliott Smith, Bibio e The Cinematic Orchestra, indicando uma ampla gama de influências que ultrapassa os limites do rock tradicional.
A música brasileira também desempenha papel relevante na construção estética do grupo. Elementos melódicos e harmônicos remetem a movimentos como o Clube da Esquina, além de artistas como Lô Borges e Os Mutantes. Essa combinação contribui para uma sonoridade que, embora global em suas referências, mantém uma identidade local perceptível.
evolução artística e processo de produção
“Sutra” representa uma mudança significativa em relação aos primeiros trabalhos da banda. Enquanto os registros iniciais apresentavam uma abordagem mais direta e crua, o novo EP aposta em uma construção mais detalhada e contemplativa, evidenciando uma evolução na escrita e na produção musical.
A própria banda descreve essa nova fase como uma busca por uma “melancolia luminosa”, conceito que sintetiza a fusão entre a densidade do rock alternativo e a leveza de elementos mais atmosféricos. Essa abordagem se reflete tanto nas composições quanto na escolha dos timbres e na organização dos arranjos.
A trajetória do grupo remonta a 2007, quando lançou seu primeiro EP. Em 2008, apresentou o álbum “Primeira Vez Última Chance”, seguido por outro EP no ano seguinte. Após um período de hiato, o retorno ocorreu em 2016 com “Tardígrado”. Desde então, a banda passou por um processo de reformulação que culmina agora em “Sutra”.
A criação do selo Casalago Records teve papel importante nesse desenvolvimento. Segundo os integrantes, a estrutura proporcionada pelo selo permitiu um avanço significativo no nível técnico da produção.
Todo o EP foi produzido dentro desse contexto, com um processo de pré-produção que envolveu experimentação, testes e refinamento de arranjos. A mixagem e a masterização ficaram a cargo de Gui Godoy, contribuindo para a definição do resultado final.
Com “Sutra”, a Abissal apresenta uma síntese de sua trajetória recente. O EP consolida uma identidade artística mais madura, alinhada a uma proposta estética que privilegia profundidade emocional e construção sonora detalhada.



