O Pentagram confirmou apresentação em São Paulo no dia 13 de agosto de 2026, no Fabrique Club, como parte da turnê “Farewell Tour, Last Latin American Run 2026”. Anunciada como a despedida definitiva dos palcos latino-americanos, a passagem pelo Brasil marca um momento simbólico para um dos nomes mais influentes e longevos do heavy metal. A realização é das produtoras Powerline Music & Books e Heart Merch.
Formada em 1971 na região de Washington/Alexandria, a banda voltou a circular intensamente nos últimos anos, inclusive alcançando um público mais amplo em 2025 após viralizar com um meme envolvendo a performance magnética do vocalista Bobby Liebling. Apesar do reconhecimento tardio em escala mais ampla, o grupo sempre ocupou posição central na formação do doom metal e na transição estética entre o hard rock e as sonoridades mais densas que marcariam o heavy metal.
origem do som que ajudou a moldar o doom
Antes mesmo de o heavy metal se consolidar como gênero definido, o Pentagram já experimentava caminhos mais sombrios e arrastados. Ao lado do baterista Geof O’Keefe, Bobby Liebling buscava construir uma identidade sonora baseada em riffs pesados, atmosferas densas e um senso constante de ameaça — elementos que, anos depois, se tornariam características fundamentais do doom metal.
A leitura mais difundida entre críticos e historiadores aponta que o Pentagram desempenhou um papel decisivo ao empurrar o hard rock para territórios mais obscuros, contribuindo diretamente para o surgimento do heavy metal. Posteriormente, sua abordagem ajudaria a estabelecer as bases do doom, influenciando gerações de bandas.
Mesmo sem grande exposição comercial durante suas primeiras décadas, o grupo foi reconhecido como referência por nomes que ajudaram a consolidar o estilo. Bandas como Candlemass, Trouble e Cathedral frequentemente citaram o Pentagram como uma de suas principais influências, reforçando seu papel como matriz estética dentro do metal pesado.

trajetória irregular e discos que viraram culto
Apesar de sua formação no início dos anos 1970, o Pentagram só lançaria seu primeiro álbum completo em 1985. Antes disso, a banda acumulou uma série de demos, mudanças constantes de formação e uma passagem significativa pela encarnação conhecida como Death Row.
As gravações realizadas entre 1981 e 1982 nesse período acabariam dando origem ao álbum que se tornaria um dos mais importantes da discografia da banda: “Relentless”. Considerado hoje um clássico, o disco carrega uma história de produção conturbada e representa bem a trajetória fragmentada do grupo — marcada por interrupções, recomeços e decisões improvisadas.
Esse histórico irregular fez com que grande parte do material do Pentagram permanecesse obscura por décadas. Foi apenas em 2001, com o lançamento da coletânea First Daze Here, que uma nova geração passou a ter acesso às gravações setentistas da banda. O álbum vendeu mais de 10 mil cópias e ajudou a consolidar o reconhecimento tardio do grupo.
A repercussão foi suficiente para estimular releituras de suas músicas por artistas contemporâneos, como Witchcraft e The Dead Weather, além de recolocar faixas como “Be Forewarned” entre as composições mais reverenciadas do metal americano.
despedida, legado e novo fôlego recente
A atual turnê de despedida ganha peso adicional quando observada à luz da própria história da banda. Ao longo das décadas, o Pentagram enfrentou uma série de obstáculos que frequentemente colocaram sua continuidade em risco: instabilidade de formação, dificuldades com gravadoras, hiatos prolongados e problemas pessoais envolvendo Bobby Liebling, incluindo dependência química.
Esse percurso foi retratado no documentário Last Days Here, que acompanha o vocalista desde um período de crise profunda até sua recuperação e retorno à atividade musical. A produção ajudou a transformar a trajetória da banda em uma narrativa pública, ampliando o interesse em torno de sua história.
Mesmo com o caráter de despedida, o Pentagram não chega ao Brasil como um projeto nostálgico. Em janeiro de 2025, o grupo lançou “Lightning in a Bottle”, seu décimo álbum de estúdio e o primeiro em cerca de uma década. O trabalho apresenta uma formação composta por Bobby Liebling, Tony Reed, Henry Vasquez e Scooter Haslip.
A recepção crítica destacou o disco como uma reafirmação da identidade sonora da banda, demonstrando que, mesmo após mais de 50 anos de atividade, o Pentagram ainda é capaz de produzir material relevante dentro do cenário do metal. Essa combinação entre legado histórico e atividade recente torna a turnê final um momento de encerramento significativo.
SERVIÇO | PENTAGRAM EM SÃO PAULO
Data: 13 de agosto de 2026
Local: Fabrique Club
Endereço: rua Barra Funda, 1071 – Barra Funda, São Paulo/SP
Ingresso: fastix.com.br/events/pentagrama-em-sao-paulo